E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos peitos, e o lamentavam
(Lc 23:27)
Em meio a grande multidão que seguia o Redentor para Sua desgraça, havia algumas almas graciosas que procuravam expressar sua amarga angústia em prantos e lamentações, tal como cânticos para acompanhar essa marcha de aflição. Quando minha alma pode, em imaginação, ver o Salvador carregando a Sua cruz para o Calvário, ela se junta às mulheres piedosas e chora com elas, porque, de fato, há um motivo verdadeiro para a dor, motivo muito mais profundo do que aquelas mulheres enlutadas pensavam. Elas lamentavam a inocência maltratada, a perseguição da bondade, o sangramento do amor, a mansidão prestes a morrer; contudo, meu coração tem uma causa mais profunda e amarga para lamentar. Meus pecados foram os açoites que dilaceraram aqueles abençoados ombros e coroaram com espinhos Suas ensanguentadas sobrancelhas; meus pecados clamavam: "Crucifica-O, crucifica-O!" (Lc 23:21), e punham a cruz sobre Seus graciosos ombros. Jesus sendo conduzido à morte é tristeza suficiente para uma eternidade, porém eu ter sido Seu assassino é mais, é infinitamente mais dor que uma pobre fonte de lágrimas pode expressar. Porque aquelas mulheres amaram e choraram não é difícil de adivinhar; entretanto, elas não tinham maiores razões para amarem e se entristecerem do que tem o meu coração. A viúva de Naim viu seu filho ser restaurado (Lc 7:11), mas eu também fui levantado em novidade de vida (Rm 6:4). A sogra de Pedro foi curada da febre (Mt 8:14), porém eu, de maior praga: o pecado.
De Madalena foram expulsos sete demônios (Lc 8:2), porém, de mim, uma legião inteira. Maria e Marta foram favorecidas com Suas visitas (Lc 10:38), mas Ele mora comigo (Jo 14:23). Sua mãe deu à luz o Seu corpo, mas Ele está formado em mim na esperança da glória (Rm 5:2). Portanto, se em nada aquém àquelas santas mulheres, então, que eu não fique aquém delas em gratidão ou tristeza.