Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 3 de abril

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) E tomaram a Jesus, e o levaram

(Jo 19:16)

Ele tinha estado durante toda a noite em agonia; Ele havia passado a manhã no salão de Caifás; Ele havia sido levado às pressas de Caifás para Pilatos, de Pilatos para Herodes, e de Herodes de volta para Pilatos; Ele estava, portanto, com pouca força e, mesmo assim, nem refresco nem descanso Lhe eram permitidos. Eles estavam ansiosos por Seu sangue e, por isso, O levaram para fora, para morrer, sobrecarregado com a cruz. Ó doloroso cortejo! As filhas de Salem bem podem chorar. Minha alma, tu podes chorar também.

O que aprendemos aqui ao vermos nosso bendito Senhor ser levado? Acaso não percebemos aquela verdade que fora estabelecida na sombra do bode expiatório (Lv 16:15)? Não trouxe, o sumo sacerdote, o bode expiatório, e colocou as mãos sobre Sua cabeça, confessando os pecados do povo, para que, desse modo, os pecados pudessem ser postos sobre o bode e removido das pessoas? Então, o bode foi conduzido por um homem designado para o deserto e levou embora os pecados do povo (Lv 16:21), de modo que se eles o fossem procurálo, não seria mais encontrado. Então, vemos Jesus perante os príncipes e sacerdotes que O pronunciam como culpado; o próprio Deus imputa nossos pecados a Ele; "o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos" (Is 53:6); "Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós" (2Co 5:21); e, como substituto pela nossa culpa, tendo suportado nosso pecado sobre Seus ombros, pecado representado pela cruz, vemos o grande bode expiatório sendo levado pelos oficiais. Amado, pode você se sentir seguro de ter Ele carregado seu pecado? À medida que você olha para a cruz sobre Seus ombros, acaso isso representa o seu pecado? Há somente uma maneira pela qual você pode dizer se Ele carregou o seu pecado ou não: você já colocou sua mão sobre Sua cabeça, confessou o seu pecado, e confiou nEle? Então, seu pecado não reside mais em você; ele foi transferido por abençoada imputação a Cristo, e Ele o levou em Seus ombros como uma carga mais pesada que a cruz. Não deixe essa imagem desaparecer até que você se alegre em sua própria libertação e adore o amoroso Redentor sobre quem as vossas iniquidades foram postas.

Noite

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos

(Is 53:6)

Aqui há uma confissão de pecado comum a todo o povo eleito de Deus. Todos caíram e, por isso, em uníssono, todos eles dizem, desde o primeiro que entrou no céu até o último que lá entrar: "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas". A confissão, embora unânime, é também particular e especial: "Cada um se desviava pelo seu caminho". Há um pecado particular em cada indivíduo; todos somos pecadores, porém cada um de nós com algum agravamento especial não encontrado em seu companheiro. É a marca do arrependimento genuíno que, embora naturalmente associada aos demais penitentes, ela ocupe também uma posição de particularidade. "Cada um se desviava pelo seu caminho" é a confissão que cada homem pecou contra a sua peculiar luz, ou pecou com um agravante que ele não percebe nos outros. Essa confissão é sem reservas; não há uma palavra que diminua sua força, nem sequer uma sílaba que a desculpe. A confissão é um ato de desistência contra todos os apelos de auto-justiça. É a declaração do homem que está conscientemente culpado, culpado com agravantes, culpado sem escusas; eles estão com suas armas de rebelião em pedaços, e clamam: "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho". No entanto, não percebemos dolorosos lamentos seguindo essa confissão de pecado, pois a frase seguinte torna-se quase uma melodia: "O Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos". É a frase mais dolorosa das três, porém ela transborda em consolação.

Estranho é que onde a miséria foi concentrada, a misericórdia reinou; onde a tristeza chegou ao seu clímax, almas cansadas encontraram descanso. O Salvador esmagado é a cura de corações esmagados. Veja como o mais humilde arrependimento dá lugar a assegurada confiança simplesmente por contemplar Cristo na cruz!