Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 2 de abril

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

E nem uma palavra lhe respondeu (…)

(Mt 27:14)

Jesus nunca foi vagaroso para falar quando podia abençoar os filhos dos homens, porém não disse sequer uma única palavra em favor de Si mesmo. "Nunca homem algum falou assim como este homem" (Jo 7:46), e nunca homem algum ficou em silêncio como Ele. Foi esse silêncio singular o expoente de Seu perfeito auto-sacrifício? Porventura não estava claro que Ele não diria uma única palavra para obstar o massacre de Sua sagrada pessoa, que Ele já havia consagrado como oferta por nós? Ele entregou a Si mesmo tão completamente que não interferiu em Seu próprio benefício nem mesmo em um ínfimo grau, mas foi preso e morto, uma vítima resignada sem luta.

Foi esse silêncio uma demonstração da condição indefensável do pecado? Nada pode ser dito em alívio ou justificativa da culpa humana; por isso, Aquele que suportou todo o peso da culpa ficou sem palavras diante do juiz. Não é o silêncio paciente a melhor resposta para um mundo de oposição? A paciência responde algumas perguntas de modo infinitamente mais conclusivo do que a mais sublime eloquência. Os melhores apologistas do Cristianismo, em seus primeiros dias, eram seus mártires. A bigorna quebra uma quantidade de martelos levando calmamente seus golpes. Não nos fornece, o silente Cordeiro de Deus, um grande exemplo de sabedoria? Onde cada palavra era ocasião para uma nova blasfêmia, era necessário não fornecer qualquer combustível para a chama do pecado.

O ambíguo e o falso, o indigno e o miserável, dentro em breve, irão cair e refutar a si próprios; portanto, a verdade pode permitir a si mesma ficar quieta e encontrar no silêncio a sua sabedoria. Evidentemente, nosso Senhor, pelo Seu silêncio, forneceu um notável cumprimento da profecia. Uma longa defesa de Si mesmo teria sido contrária à profecia de Isaías: "Como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca" (Is 53:7). Pelo Seu silêncio, Ele provou, de modo conclusivo, ser o verdadeiro Cordeiro de Deus. Como tal, nós O saudamos nesta manhã. Esteja conosco, Jesus, e no silêncio do nosso coração, ouviremos a voz do Teu amor.

Noite

(…) verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão

(Is 53:10)

Pleiteie o célere cumprimento dessa promessa, vós todos que amam ao Senhor. É fácil orar quando, em relação aos nossos desejos, estamos ancorados e estabilizados sobre as próprias promessas de Deus. Como Aquele que fez a promessa irá Se recusar a cumpri-la? A imutável verdade não pode se rebaixar por uma mentira, e a eterna fidelidade não pode degradar a si mesma pela negligência. Deus abençoa a Seu Filho; Seu pacto liga-O a Ele.

Aquilo que o Espírito nos leva a pedir a Jesus é o que Deus decreta Lhe dar. Sempre que você está orando pelo reino de Cristo, deixe seus olhos contemplarem o amanhecer do abençoado dia que se aproxima, quando o Crucificado receberá Sua coroação no lugar onde os homens O rejeitaram. Coragem, você que labuta e trabalha com fadiga por Cristo com o mínimo de sucesso, pois não será assim para sempre; tempos melhores estão diante de você. Seus olhos não podem ver o bem-aventurado futuro; por isso, tome emprestado o telescópio da fé; limpe o nebuloso ar de dúvidas que está em frente; olhe através dele, e eis que vem a glória. Leitor, faz você disso a sua constante oração? Lembre-se que o mesmo Cristo que nos ensinou a dizer "o pão nosso de cada dia nos dá hoje" (Mt 6:11), nos deu, antes, esta petição: "Santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mt 6:10). Não deixe suas orações serem todas a respeito de seus próprios pecados, de seus próprios desejos, de suas próprias imperfeições, de suas próprias provações; deixe-as escalar a brilhante escada e se elevarem para o próprio Cristo; então, tal como você se aproxima do sangue aspergido no propiciatório, ofereça esta oração continuamente: "Senhor, estenda o reino do teu Filho amado". Tal petição, fervorosamente apresentada, vai elevar o espírito de todas as suas devoções. Lembre-se que você prova a sinceridade de sua oração trabalhando para promover a glória do Senhor.