Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 8 de março

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus

(At 14:22)

O povo de Deus tem suas provações. Nunca foi desígnio de Deus, quando escolheu Seu povo, que fossem um povo sem provas. Eles foram escolhidos na fornalha da aflição (Is 48:10); eles nunca foram escolhidos para a paz mundana e alegria terrena. Liberdade da doença e das dores da mortalidade nunca lhes foi prometido, pois quando o Senhor redigiu a Carta de privilégios, Ele incluiu castigos entre as coisas pelas quais eles deveriam ser inevitavelmente herdeiros. Provas são uma parte de nossa sorte; elas nos foram predestinadas no último legado de Cristo.

Portanto, tão certo como as estrelas são formadas por Suas mãos, e suas órbitas fixadas por Ele, assim também as provações nos estão designadas. Ele ordenou a época e o lugar, a intensidade e os efeitos que terão sobre nós. Homens bons nunca devem esperar que escaparão dos problemas; se o fizerem, irão se decepcionar, pois nenhum de seus antecessores esteve sem provações. Note a paciência de Jó; lembre-se de Abraão, pois ele tinha suas provas e, por sua fé nelas, tornou-se o "Pai da fé". Note bem a biografia de todos os patriarcas, profetas, apóstolos e mártires, e você descobrirá que nenhum daqueles a quem Deus fez vasos de misericórdia deixou de passar pelo fogo da aflição. Isso foi ordenado há tempos, que a cruz de problemas estaria gravada em cada vaso de misericórdia, como a marca real em que os vasos de honra do Rei são distinguidos. Mas apesar das tribulações serem o caminho dos filhos de Deus, eles têm o conforto de saber que seu Mestre percorreu tudo antes deles; eles têm Sua presença e compaixão para animá-los, Sua graça para apoiá-los, e Seu exemplo para ensiná-los a suportar; e, quando atingirem "o reino", lá haverá mais do que recompensa pelas "muitas tribulações" através das quais eles passaram para lá entrarem.

Noite

E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), chamou-lhe Benoni; mas seu pai chamou- lhe Benjamim

(Gn 35:18)

Para cada situação há um lado bom e um lado ruim. Raquel estava sobrecarregada com a tristeza de sua própria agonia e morte; Jacó, embora chorando a perda da mulher, pôde ver misericórdia no nascimento da criança. É bom para nós se, enquanto a carne chora diante das provas, nossa fé triunfa em divina fidelidade. O leão de Sansão produziu mel (Jz 14:8) e, também, nossas adversidades produzirão, se consideradas corretamente. O mar tempestuoso alimenta multidões de peixes; pequenas e belas flores florescem em madeira selvagem; o vento tempestuoso varre a peste, e a geada cortante desprende o solo.

Nuvens escuras destilam gotas brilhantes, e na terra escura crescem alegres flores. O caminho do bem pode ser encontrado em cada jazida do mal. Corações tristes têm uma habilidade peculiar para descobrir o ponto de vista mais desfavorável para observarem a provação; se houvesse apenas um único lamaçal no mundo, em pouco tempo eles estariam afundados nele até o pescoço, e se houvesse apenas um leão no deserto, eles o ouviriam rugir. Sobre todos nós há um toque dessa miserável tolice e, por vezes, tal como Jacó, somos capazes de clamar: "Todas estas coisas vieram sobre mim" (Gn 42:36). A caminhada no caminho da fé importa lançar todos os cuidados sobre o Senhor e, em seguida, antecipar bons resultados das piores calamidades. Como os homens de Gideão, a fé não se preocupa com o jarro quebrado, mas regozija que a tocha brilhe ainda mais (Jz 7:19-20). Por fora da dureza da concha da ostra da dificuldade, a fé extrai a rara pérola da honra, e das profundas cavernas do oceano de angústias, ela levanta o inestimável coral da experiência. Quando sua inundação de prosperidade declina, ela descobre tesouros escondidos na areia, e quando seu sol de deleite se põe, ela vira o telescópio de esperança para o céu estrelado das promessas. Quando a própria morte aparece, a fé aponta para a luz da ressurreição, fazendo, então, nosso moribundo Benoni ser nosso vivo Benjamim.

De acordo com o “Strong's Hebrew and Greek Dictionaries”, "Benoni" significa "filho de minha tristeza", enquanto "Benjamim" significa "filho da mão direita". (N.T.)