(…) Tende fé em Deus
(Mc 11:22)
A fé é o sustento da alma pela qual ela pode marchar ao longo da estrada dos mandamentos. O amor pode fazer com que os pés se movimentem mais rapidamente, porém a fé são os pés que carregam a alma. A fé é o óleo que faz com que as rodas da santa devoção e da sincera piedade se movimentem bem; sem fé, as rodas são retiradas da carruagem e nos arrastamos pesadamente. Com fé, eu posso fazer todas as coisas; sem fé, não tenho nem a inclinação, nem o poder para realizar qualquer coisa no serviço de Deus. Se você procurar os homens que servem o seu melhor a Deus, você encontrará os homens de mais fé.
Uma fé pequena salvará o homem, mas não poderá fazer grandes coisas para Deus. "Pouca fé" não poderia ter lutado contra "Apolion"; foi preciso que "Cristão" o fizesse. "Pouca fé" não poderia destruir o "Gigante do desespero"; foi necessário que o braço de "Grande de coração" derrubasse o monstro. "Pouca fé" certamente irá para o céu, porém, muitas vezes ele teve de se esconder e, com frequência, perdeu quase tudo, salvo suas jóias. "Pouca fé" diz: "É uma estrada difícil, cercada de espinhos afiados e cheia de perigos; tenho medo de ir", mas "Grande fé" se lembra da promessa: "Seja de ferro e de metal o teu calçado; e a tua força seja como os teus dias" (Dt 33:25), e, assim, viaja corajosamente. "Pouca fé" se desanima, misturando suas lágrimas com o dilúvio, mas "Grande fé" canta: "Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão" (Is 43:2), e passa a vau o riacho de uma só vez. Estaria você confortável e feliz? Deleita-se você na fé?
Será que você tem fé na alegria e não na tristeza? Então, "tende fé em Deus". Se você ama as trevas, e está satisfeito em morar na tristeza e na miséria, então, contente-se com uma pequena fé, mas se você ama a luz do sol, e canta louvores de alegria, procurai com zelo este melhor dom: "Grande fé". "Pouca fé", "Grande fé", "Apolion" e "Gigante do desespero" são personagens do livro "O Peregrino", escrito pelo pregador John Bunyan (1628 - 1688), publicado na Inglaterra, em 1678. (N.T.)