Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 10 de fevereiro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) e sei também ter abundância (…)

(Fp 4:12)

Há muitos que sabem como "estar abatido", mas não sabem como "ter abundância". Quando são colocados no topo do pináculo, a cabeça fica desorientada, e eles ficam prestes a cair. O cristão, com muito mais frequência, envergonha sua profissão de fé na prosperidade do que na adversidade. É uma coisa perigosa ser próspero. A prova da adversidade é uma prova menos severa para o cristão do que o crisol da prosperidade.

Oh, que fraqueza para a alma, e negligência das coisas espirituais, foram trazidas através das misericórdias e bênçãos de Deus! No entanto, isso não é uma questão de ter necessidades, pois o apóstolo nos diz que sabia ter abundância. Quando tinha muito, ele sabia como usar. Abundante graça lhe permitiu suportar abundante prosperidade. Quando ele tinha uma vela cheia, ele estava carregado com muito lastro e, assim, flutuava com segurança. É preciso mais que habilidade humana para levar a taça transbordante da alegria terrena com mão firme, mas Paulo aprendeu essa habilidade, pois ele declara: "Em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome" (Fp 4:12). É um ensinamento divino saber como ser farto, pois os Israelitas estiveram cheios uma vez, mas enquanto a carne ainda estava em suas bocas, a ira de Deus veio sobre eles (Nm 11:33). Muitos pedem misericórdias para que possam satisfazer seus próprios luxuriosos corações. Fartura de pão tem feito frequentemente fartura de sangue, e trazido libertinagem ao espírito. Quando temos muito das misericórdias providenciais de Deus, muitas vezes acontece que temos senão pouco da graça de Deus, e pouca gratidão pelas bênçãos que recebemos.

Estamos fartos e nos esquecemos de Deus; satisfeitos com o terreno, ficamos satisfeitos em agir sem o céu. Tenha certeza que é mais difícil saber como é ser farto do que saber como ter fome; bastante desesperada é a tendência da natureza humana para o orgulho e o esquecimento de Deus. Tome cuidado com aquilo que você pede em suas orações, pois Deus pode lhe ensinar "como ser farto".

Noite

Apaguei as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi

(Is 44:22)

Observe atentamente a instrutiva comparação: nossos pecados são semelhantes a uma nuvem. Como as nuvens são de muitas formas e tons, assim também as nossas transgressões. Tal como as nuvens obscurecem a luz do sol e a paisagem abaixo, assim também os nossos pecados escondem de nós a luz do rosto de Jeová e nos levam a sentar na sombra da morte. As nuvens são coisas terrenas, e nascem dos charcos de nossa natureza; quando estão tão acumuladas que sua medida está cheia, elas nos ameaçam com vendavais e tempestades. Ai de mim!

Ao contrário das nuvens, nossos pecados não nos produzem agradáveis chuvas, mas nos ameaçam inundar com um dilúvio de fogo de destruição. Ó nuvens negras do pecado, como pode haver bom tempo em nossas almas enquanto vós permanecerdes? Que os nossos jubilantes olhos repousem sobre o notável ato da divina misericórdia: "Apaguei". O próprio Deus aparece em cena com benignidade divina e, ao invés de manifestar Sua ira, revela a Sua graça. Ele, de forma efetiva, de uma vez e para sempre, remove o mal, não assoprando a nuvem para longe, mas apagando sua existência de uma vez por todas. Contra o homem justificado nenhum pecado permanece, a grande realização da cruz removeu eternamente suas transgressões. No cume do Calvário, o grande feito, através do qual o pecado de todo escolhido foi posto de lado para sempre, foi completa e eficazmente realizado. Vamos obedecer, de forma prática, o gracioso comando: "Torna-te para mim".

Por que os pecadores perdoados deveriam viver à distância de seu Deus? Se nós fomos perdoados de todos os nossos pecados, vamos recusar qualquer medo legítimo ao mais ousado acesso ao nosso Senhor. Deixe as rebeldias serem lamentadas, mas não vamos perseverar nelas. Para a maior proximidade possível de comunhão com o Senhor, vamos, no poder do Espírito Santo, nos esforçar poderosamente para retornar. Ó Senhor, nesta noite, restaura-nos!