Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 29 de janeiro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) nas que se não vêem (…)

(2Co 4:18)

A nossa peregrinação cristã é, em sua maior parte, estar olhando para frente. Adiante está a coroa, e para frente é o objetivo. Quer seja pela esperança, pela alegria, pelo consolo, ou pela inspiração do nosso amor, o futuro deve ser, afinal, o grande objetivo dos olhos da fé. Olhando para o futuro vemos o pecado ser removido, o corpo do pecado e da morte ser destruído, a alma aperfeiçoada e apta a ser participante da herança dos santos na luz (Cl 1:12). Olhando ainda para o futuro, os olhos esclarecidos do crente podem ver transposto o rio da morte, o sombrio fluxo ultrapassado, e as colinas de luz alcançadas, onde se levanta a cidade celestial; ele vê a si mesmo entrando pelos portões de pérolas, sendo saudado como mais que vencedor, coroado pela mão de Cristo, abraçado nos braços de Jesus, glorificado com Ele e sentado com Ele em Seu trono, tal como Ele venceu e está assentado com o Pai em Seu trono. O pensamento desse futuro pode muito bem aliviar a escuridão do passado e as trevas do presente. As alegrias do céu certamente compensarão as tristezas da Terra. Silêncio, silêncio, minhas dúvidas!

A morte é apenas um córrego estreito, e tu, em breve, o terás cruzado. Tempo, quão curto; eternidade, quão longa! Morte, quão breve; imortalidade, quão infinita! Parece-me que, mesmo agora, eu me alimento dos cachos do Escol (Nm 13:23), e saboreio do poço que está junto à porta (2Sm 23:15). A estrada é tão, tão curta! Em breve eu estarei lá. "Quando o mundo o meu coração estiver rasgando, Com sua mais pesada tempestade de inquietação, Meus pensamentos alegres para o céu ascendem, E encontram um refúgio do desespero. A visão resplandecente da fé me sustenta, Até a vida de peregrinação ser passado; Medos podem maltratar, e problemas machucar, Chegarei em minha casa, enfim".

Noite

E a pomba voltou a ele à tarde (…)

(Gn 8:11)

Bendito seja o Senhor por mais um dia de misericórdia, embora eu esteja, agora, cansado das labutas. Ao Preservador dos homens levantarei meu louvor de gratidão. A pomba não achou descanso fora da arca e, por isso, retornou a ela; minha alma aprendeu, mais do que nunca no dia de hoje, que não há satisfação a ser encontrada em coisas terrenas; apenas Deus pode dar descanso ao meu espírito. Quanto aos meus negócios, meus bens, minha família, minhas realizações, estão todos muito bem em seus caminhos, porém eles não podem satisfazer os desejos de minha natureza imortal. "Volta, minha alma, para o teu repouso, pois o Senhor te fez bem" (Sl 116:7). Foi na hora tranquila, quando os portões do dia foram encerrados que, com as asas cansadas, a pomba voltou para o mestre; ó Senhor, permita-me, esta noite, voltar assim para Jesus. Ela não poderia aguentar mais uma noite pairando sobre os agitados resíduos, assim como eu também não posso suportar estar mais uma hora distante de Jesus, o descanso do meu coração, a morada do meu espírito. Ela não apenas desceu sobre o telhado da arca, mas "voltou a ele"; assim, também, meu espírito deseja olhar para o segredo do Senhor (Sl 25:14), rompendo para o interior da verdade, entrando para o que está na parte interna do véu, e chegando ao meu Amado. A Jesus devo eu voltar; aquém da mais próxima e querida comunhão com Ele meu espírito ofegante não pode permanecer. Bendito Senhor Jesus, esteja comigo, revela-Te e fica comigo a noite toda, de modo que, quando eu acordar, eu esteja ainda contigo. Percebo que a pomba trouxe em seu bico um ramo verde de oliveira, o memorial do dia passado e uma profecia do futuro.

Tenho eu algum agradável registro a trazer para casa? Porventura nenhum penhor e garantia da misericórdia está por vir? Sim, meu Senhor, eu apresento a Ti meu reconhecimento de gratidão por tenras misericórdias que têm sido renovadas a cada manhã e refrescantes a cada noite; agora, peço a Ti para colocar a Tua mão e trazer Tua pomba ao Teu regaço.