Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 26 de janeiro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) vosso Pai celestial (…)

(Mt 6:26)

Aqueles do povo de Deus são duplamente Seus filhos; eles são Seus filhos por criação e são Seus filhos por adoção em Cristo. Portanto, eles têm o privilégio de chamá-lo "Pai nosso que estás no céu". Pai! Oh, que palavra preciosa é essa. Aqui está a autoridade: "Se eu sou pai, onde está a minha honra?" (Ml 1:6).

Se sois filhos, onde está a vossa obediência? Aqui está a afeição misturada com autoridade, uma autoridade que não gera rebelião; uma obediência que é alegremente rendida e que não poderia ser retida, mesmo se possível. A obediência que os filhos de Deus dão a Ele deve ser obediência amorosa. Não vá ao serviço de Deus como os escravos vão ao seu pesado trabalho, conduzidos pelo capataz, mas siga pelo caminho de Seus mandamentos porque é o caminho de seu Pai. Rendam seus corpos como instrumentos de justiça (Rm 6:13), porque a justiça é a vontade de vosso Pai, e Sua vontade deve ser a vontade de Seus filhos. Pai! Aqui está um atributo real tão docemente velado no amor que a coroa do Rei é esquecida ao ser contemplado o rosto do Rei, e o Seu cetro tornase não uma vara de ferro, mas um cetro prateado de misericórdia; o cetro, de fato, parece ser esquecido na tenra mão de quem exerce o poder. Pai! Aqui está honra e amor. Quão grande é o amor do Pai pelos Seus filhos! Aquilo que a amizade não pode fazer, e a mera benevolência não tentará, o coração e a mão do Pai farão por Seus filhos; eles são Sua descendência; Ele irá abençoá-los; eles são Seus filhos; Ele irá mostrar-Se forte na defesa deles.

Se um pai terreno cuida de seus filhos com amor e cuidado incessantes, quanto mais nosso Pai celestial. Aba, Pai! Aquele que pode dizer isso proferiu melhor música que serafins e querubins poderiam alcançar. Há um céu na profundidade desta palavra: Pai! Há tudo aquilo que podem pedir, tudo o que as minhas necessidades podem demandar, tudo o que os meus desejos podem querer. Em suma, eu tenho toda a eternidade quando posso dizer: "Pai".

Noite

E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam

(Lc 2:18)

Não devemos cessar de admirar as grandes maravilhas do nosso Deus. Seria muito difícil traçar uma linha entre a sagrada admiração e a verdadeira adoração, pois quando a alma está submergida com a majestade da glória de Deus, embora não possa expressar-se em louvor, ou mesmo proferir sua voz com a cabeça curvada em humilde oração, contudo, em silêncio, ela adora. Nosso Deus encarnado deve ser adorado como "o Maravilhoso". Que Deus tenha levado em conta Sua criatura caída, o homem, e em vez de varrê-lo com a vassoura da destruição, Ele mesmo aceitou ser o seu Redentor, e pagar o preço de seu resgate, é, de fato, maravilhoso! No entanto, para cada crente redimido, é maravilhoso como Ele o vê em relação a Si próprio.

É verdadeiramente um milagre da graça que Jesus tenha abandonado o trono e a majestade do céu para sofrer de maneira desonrosa na Terra por nós. Deixe sua alma perderse em admiração, porque admiração é uma emoção muito proveitosa. A sagrada admiração levará você a sincera adoração e agradecimento; causará dentro de você uma devota vigilância; você terá receio de pecar contra um amor como esse. Sentindo a presença do poderoso Deus na dádiva de Seu Filho amado, você descalçará os sapatos dos seus pés, porque o lugar onde você está é terra santa (Ex 3:5; Js 5:15). Você será movido, ao mesmo tempo, para a gloriosa esperança. Se Jesus fez coisas maravilhosas em seu nome, você sentirá que mesmo o próprio céu não é tão grande para sua expectativa. Quem poderá ser surpreendido com alguma coisa quando outrora surpreendido pela manjedoura e pela cruz? O que existe de mais maravilhoso depois de alguém ter visto o Salvador? Caro leitor, pode ser que pela sua calma e isolada forma de vida, você seja capaz apenas de imitar os pastores de Belém, que disseram aquilo que tinham visto e ouvido, porém você pode, ainda assim, fazer parte do círculo de adoradores diante do trono, admirando aquilo que Deus fez.