(…) vosso Pai celestial (…)
(Mt 6:26)
Aqueles do povo de Deus são duplamente Seus filhos; eles são Seus filhos por criação e são Seus filhos por adoção em Cristo. Portanto, eles têm o privilégio de chamá-lo "Pai nosso que estás no céu". Pai! Oh, que palavra preciosa é essa. Aqui está a autoridade: "Se eu sou pai, onde está a minha honra?" (Ml 1:6).
Se sois filhos, onde está a vossa obediência? Aqui está a afeição misturada com autoridade, uma autoridade que não gera rebelião; uma obediência que é alegremente rendida e que não poderia ser retida, mesmo se possível. A obediência que os filhos de Deus dão a Ele deve ser obediência amorosa. Não vá ao serviço de Deus como os escravos vão ao seu pesado trabalho, conduzidos pelo capataz, mas siga pelo caminho de Seus mandamentos porque é o caminho de seu Pai. Rendam seus corpos como instrumentos de justiça (Rm 6:13), porque a justiça é a vontade de vosso Pai, e Sua vontade deve ser a vontade de Seus filhos. Pai! Aqui está um atributo real tão docemente velado no amor que a coroa do Rei é esquecida ao ser contemplado o rosto do Rei, e o Seu cetro tornase não uma vara de ferro, mas um cetro prateado de misericórdia; o cetro, de fato, parece ser esquecido na tenra mão de quem exerce o poder. Pai! Aqui está honra e amor. Quão grande é o amor do Pai pelos Seus filhos! Aquilo que a amizade não pode fazer, e a mera benevolência não tentará, o coração e a mão do Pai farão por Seus filhos; eles são Sua descendência; Ele irá abençoá-los; eles são Seus filhos; Ele irá mostrar-Se forte na defesa deles.
Se um pai terreno cuida de seus filhos com amor e cuidado incessantes, quanto mais nosso Pai celestial. Aba, Pai! Aquele que pode dizer isso proferiu melhor música que serafins e querubins poderiam alcançar. Há um céu na profundidade desta palavra: Pai! Há tudo aquilo que podem pedir, tudo o que as minhas necessidades podem demandar, tudo o que os meus desejos podem querer. Em suma, eu tenho toda a eternidade quando posso dizer: "Pai".