Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 20 de janeiro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) Abel foi pastor de ovelhas (…)

(Gn 4:2)

Como pastor, Abel santificou seu trabalho para a glória de Deus e ofereceu um sacrifício de sangue sobre o seu altar. "E atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta" (Gn 4:4). Esse protótipo de nosso Senhor é extremamente claro e nítido. Tal como o primeiro raio de luz que tinge o leste ao nascer do sol, ele não revela tudo, porém manifesta o grandioso fato que o sol está surgindo. Vendo Abel, um pastor e também um sacerdote, oferecendo um sacrifício de cheiro suave a Deus, nós discernimos nosso Senhor, que traz diante de Seu Pai um sacrifício que Jeová sempre terá em conta. Abel foi odiado por seu irmão, odiado sem causa, e, mesmo assim, era o Salvador; o homem natural e carnal odiava o Homem Aceitável, em quem o Espírito da graça foi encontrado, e não descansou até que Seu sangue fosse derramado. Abel caiu e, com seu próprio sangue, aspergiu seu altar e sacrifício; aqui é apresentado o Senhor Jesus morrendo pela inimizade do homem enquanto servia como sacerdote diante do Senhor. "O bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas" (Jo 10:11). Vamos derramar nossas lágrimas por vê-Lo ser morto pelo ódio da humanidade, manchando as pontas do Seu altar com Seu próprio sangue. O sangue de Abel fala. "E disse o Senhor a Caim: 'A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra'" (Gn 4:9-10).

O sangue de Jesus tem uma poderosa voz, e o significado de Seu prevalente clamor não é vingança, porém misericórdia. É precioso, para além de toda preciosidade, estar no altar do nosso bom Pastor! Vê-Lo sangrando lá como o sacerdote abatido e, depois, ouvir a voz de Seu sangue declarando paz a todo o Seu rebanho, paz em nossa consciência, paz entre judeus e gentios, paz entre o homem e seu ofendido Criador, paz ao longo dos séculos da eternidade para os homens lavados em Seu sangue. Abel é o primeiro pastor em ordem de tempo, porém nossos corações colocam Jesus, sempre, em primeiro lugar em ordem de excelência. Ó grande Defensor das ovelhas, nós, o povo do Teu rebanho, bendizemos a Ti, com todo nosso coração, quando O vemos morto por nós.

Noite

Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho

(Sl 119:37)

Existem diversos tipos de vaidade. Os espetáculos dos tolos, o entretenimento do mundo, a dança, a lira e o cálice do dissoluto; tudo isso os homens sabem que são vaidades. Eles usam, por cima de sua fachada, seus nomes e títulos. Muito mais traiçoeira são estas coisas igualmente vãs: os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas. O homem pode seguir a vaidade tão verdadeiramente nas casas de câmbio como no teatro.

Se ele gastar sua vida acumulando riquezas, terá passado seus dias em um espetáculo inútil. A menos que sigamos a Cristo, e façamos nosso Deus o grande objetivo de nossa vida, apenas na aparência nos diferenciaremos daqueles mais frívolos. É claro que há, primeiramente, necessidade da primeira parte da oração de nosso texto de hoje: "Vivifica-me no teu caminho". O salmista confessa que ele é embrutecido, malvado, inconstante, tudo senão morto. Talvez, caro leitor, você sinta o mesmo. Somos tão vagarosos que mesmo as melhores razões não podem nos despertar, a não ser o próprio Senhor. O quê! Porventura não irá o inferno me vivificar? Pensar nos pecadores que perecem e, ainda assim, não serei vivificado? O céu não irá me vivificar? Posso pensar na recompensa que aguarda os justos e, mesmo assim, ser insensível?

Não irá a morte me vivificar? Posso pensar em morrer e, em pé diante do meu Deus, continuar a ser preguiçoso no serviço do meu Mestre? O amor de Cristo não irá me constranger? Posso pensar em Suas amadas feridas, posso sentar ao pé de Sua cruz e, ainda assim, não ser agitado com fervor e zelo? Parece que sim!

Nenhuma consideração pode nos vivificar a sermos zelosos, mas apenas o próprio Deus poderá fazê-lo; daí o clamor: "Vivifica-me". O salmista expira toda a sua alma em veementes alegações; seu corpo e sua alma se unem em oração. "Desvia os meus olhos", diz o corpo; "vivifica-me", clama a alma. Essa é uma oração própria para todos os dias. Ó Senhor, ouça-a em meu benefício esta noite.