(…) Abel foi pastor de ovelhas (…)
(Gn 4:2)
Como pastor, Abel santificou seu trabalho para a glória de Deus e ofereceu um sacrifício de sangue sobre o seu altar. "E atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta" (Gn 4:4). Esse protótipo de nosso Senhor é extremamente claro e nítido. Tal como o primeiro raio de luz que tinge o leste ao nascer do sol, ele não revela tudo, porém manifesta o grandioso fato que o sol está surgindo. Vendo Abel, um pastor e também um sacerdote, oferecendo um sacrifício de cheiro suave a Deus, nós discernimos nosso Senhor, que traz diante de Seu Pai um sacrifício que Jeová sempre terá em conta. Abel foi odiado por seu irmão, odiado sem causa, e, mesmo assim, era o Salvador; o homem natural e carnal odiava o Homem Aceitável, em quem o Espírito da graça foi encontrado, e não descansou até que Seu sangue fosse derramado. Abel caiu e, com seu próprio sangue, aspergiu seu altar e sacrifício; aqui é apresentado o Senhor Jesus morrendo pela inimizade do homem enquanto servia como sacerdote diante do Senhor. "O bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas" (Jo 10:11). Vamos derramar nossas lágrimas por vê-Lo ser morto pelo ódio da humanidade, manchando as pontas do Seu altar com Seu próprio sangue. O sangue de Abel fala. "E disse o Senhor a Caim: 'A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra'" (Gn 4:9-10).
O sangue de Jesus tem uma poderosa voz, e o significado de Seu prevalente clamor não é vingança, porém misericórdia. É precioso, para além de toda preciosidade, estar no altar do nosso bom Pastor! Vê-Lo sangrando lá como o sacerdote abatido e, depois, ouvir a voz de Seu sangue declarando paz a todo o Seu rebanho, paz em nossa consciência, paz entre judeus e gentios, paz entre o homem e seu ofendido Criador, paz ao longo dos séculos da eternidade para os homens lavados em Seu sangue. Abel é o primeiro pastor em ordem de tempo, porém nossos corações colocam Jesus, sempre, em primeiro lugar em ordem de excelência. Ó grande Defensor das ovelhas, nós, o povo do Teu rebanho, bendizemos a Ti, com todo nosso coração, quando O vemos morto por nós.