Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 10 de dezembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) e assim estaremos sempre com o Senhor

(1Ts 4:16)

Como são breves mesmo aquelas visitas mais doces de Cristo! Como são transitórias! Em um momento nossos olhos O veem, e nos regozijamos com alegria indescritível e completa glória, porém rapidamente já não O vemos mais, pois nosso amado retira-Se de nós. Como o gamo ou o jovem cervo, Ele salta por sobre as montanhas. Ele se foi para a terra das especiarias, e não Se alimenta mais entre os lírios. "Se, hoje, Ele consente em nos abençoar, Com o sentimento de pecado perdoado, Ele, amanhã, pode nos afligir, Fazendo-nos sentir o flagelo interior". Oh, quão doce é a esperança por aquele dia em que não iremos contemplá-Lo à distância, mas O veremos face a face; quando não seremos como o andarilho que tarda durante a noite, mas estaremos eternamente abraçados no seio glorioso do nosso Senhor. Não O veremos apenas por um breve período, mas… "Milhões de anos nossos olhos encantados, Acompanharão o maravilhoso andar de nosso Salvador; E por miríades de eras nós iremos adorar, As maravilhas do Seu amor".

No céu não haverá interrupções com ansiedades ou pecados. Nenhuma lágrima ofuscará nossos olhos, nenhum negócio terreno distrairá nossos felizes pensamentos, não teremos coisa alguma a nos impedir de olhar eternamente para o Sol da Justiça com olhos incansáveis. Oh, se é tão doce vê-Lo de vez em quando, quão doce será olhar esse abençoado rosto para sempre, sem que haja sequer uma única nuvem a atrapalhar, e sem nunca precisar virar os olhos e ver um mundo de cansaço e aflição! Dia bem-aventurado, quando irás alvorecer? Levanta-te, ó sol inacabado! As alegrias dos sentidos podem nos deixar tão logo desejarem, pois haverá uma gloriosa compensação. Se morrer não é outra coisa senão entrar em comunhão ininterrupta com Jesus, então, a morte é, de fato, um ganho (Fp 1:21), e uma gota escura engolida no oceano da vitória.

Noite

(…) e o Senhor lhe abriu o coração (…)

(At 16:14)

Na conversão de Lidia há muitos pontos interessantes. Ela aconteceu por circunstâncias providenciais. Lidia era vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, mas apenas no momento certo para ouvir Paulo é que iremos encontrá-la em Filipos. A providência, que é serva da graça, levou-a ao lugar adequado. Mais uma vez, a graça estava preparando sua alma para a bênção - graça preparando graça.

Ela não conhecia o Salvador, mas, como judia, ela sabia muitas verdades que eram excelentes pontos de partida para o conhecimento de Jesus. Sua conversão ocorreu através da utilização dos meios. Ela foi no sábado, quando a oração era realizada de costume, e aquela oração foi ouvida. Nunca negligencie os meios de graça. Deus pode nos abençoar quando não estamos em Sua casa, mas temos maior razão para esperar que Ele irá fazê-lo quando estamos em comunhão com os santos. Observe as palavras: "E o Senhor lhe abriu o coração". Não foi Lidia que abriu seu próprio coração, tampouco suas orações fizeram isso; Paulo, de igual modo, também não o fez. O próprio Senhor deve abrir o coração para recebermos as coisas que servem a nossa paz. Somente Ele pode colocar a chave na fechadura da porta para abri-la e ter acesso para Si mesmo. Ele é o Senhor do coração, assim como o criador do coração. A primeira evidência externa de um coração aberto foi a obediência.

Assim que Lidia passou a crer em Jesus, ela foi batizada. Esse é um doce sinal de um coração humilde e quebrantado, quando o filho de Deus está disposto a obedecer uma ordem que não é essencial a sua salvação, que não lhe é imposta por um medo egoísta de condenação, mas é um simples ato de obediência e comunhão com seu Mestre. A prova seguinte foi o amor, manifestando-se por atos de doce gratidão aos apóstolos. Amor aos santos sempre foi uma característica do verdadeiro convertido. Aqueles que não fazem coisa alguma para Cristo, ou para Sua Igreja, dão senão desgosto aos de "coração aberto". Senhor, dê-nos cada vez mais um coração aberto.