Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 25 de novembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

A pregar liberdade aos cativos (…)

(Lc 4:19)

Ninguém senão Jesus pode dar libertação aos cativos. A verdadeira liberdade vem apenas dEle. É uma liberdade justamente concedida, pois o Filho, que é Herdeiro de todas as coisas (Hb 1:2), tem o direito de fazer os homens livres. Os santos honram a justiça de Deus que, agora, garante a salvação deles. É uma liberdade que foi encarecidamente comprada.

Cristo fala sobre ela por Seu poder, mas Ele a comprou por Seu sangue. Ele te faz livre, mas é por Suas próprias prisões. Tu vais limpo, porque Ele levou sobre Si o teu fardo; tu estás posto em liberdade, porque Ele sofreu em teu lugar. Mas, apesar de encarecidamente comprada, Ele a dá livremente. Jesus não pede coisa alguma de nós como preparação para essa liberdade. Ele nos encontra sentados em cilício e cinza, e nos convida a colocar a bela vestimenta da liberdade; Ele nos salva tal como somos, e tudo sem a nossa ajuda ou mérito. Quando Jesus liberta, a liberdade está perpetuamente conferida; nenhuma corrente pode nos ligar de novo. Deixe o Mestre me dizer: "Cativo, eu te libertei", e isso está feito para sempre. Satanás pode conspirar para nos escravizar, mas se o Senhor está do nosso lado, a quem temerei? O mundo, com suas tentações, pode procurar nos iludir, porém mais poderoso é Aquele que é por nós do que todos os que são contra nós (Rm 8:31). As maquinações de nossos próprios enganosos corações podem nos perseguir e incomodar, mas Aquele que começou em nós a boa obra irá continuá-la, e irá aperfeiçoá-la até o fim (Fp 1:6).

Os inimigos de Deus e os inimigos do homem podem reunir seus exércitos e virem com fúria contra nós, mas se Deus absolveu, quem nos condenará? Não é mais livre a águia que sobe ao seu ninho nas rochas, e depois desaparece nas nuvens, do que a alma que Cristo libertou. Se não estamos mais sob a lei, mas livres de sua maldição, que nossa liberdade seja praticamente exibida em nosso servir a Deus com gratidão e alegria. "Ó Senhor, deveras sou teu servo; soltaste as minhas ataduras" (Sl 116:16); "Senhor, que queres que eu faça?" (At 9:6).

Noite

Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia

(Rm 9:15)

Com essas palavras, o Senhor, de maneira muito clara, reivindica o direito de dar ou de reter Sua misericórdia segundo Sua própria vontade soberana. Tal como a prerrogativa de vida e morte é exercida pelo monarca, assim o Juiz de toda a Terra tem o direito de poupar ou condenar o culpado como parecer melhor a Sua vista. Os homens, por seus pecados, perderam todo o direito de reivindicar diante de Deus; eles merecem morrer por seus pecados, e se todos merecem isso, eles não têm qualquer fundamento para reclamar. Se o Senhor intervém para salvar alguém, Ele pode fazê-lo sem que os fins de justiça sejam frustrados, mas se Ele julga que é melhor deixar os condenados sofrerem a justa sentença, ninguém pode levá-Lo a juízo. Tolos e insolentes são todos aqueles discursos sobre o direito dos homens a serem colocados no mesmo pé de igualdade; ignorantes, se não pior, são as argumentações contra a graça discriminadora, sendo apenas rebeliões da orgulhosa natureza humana contra a coroa e o cetro de Jeová. Quando somos levados a ver nossa própria ruína e desgraça, e a justiça do veredicto divino contra o pecado, já não há objeção a verdade que o Senhor não é obrigado a nos salvar; não murmuremos se Ele escolhe salvar alguns, como se estivesse nos fazendo um agravo, mas percebamos que se Ele digna-Se a olhar para nós, será o Seu próprio e livre ato de bondade imerecida, pelo qual iremos eternamente dar graças ao Seu nome. Como irão, aqueles que são objeto da eleição divina, adorar suficientemente a graça de Deus? Eles não têm espaço para ostentação, pois a soberania eficazmente a exclui. Somente a vontade do Senhor é glorificada, e a própria noção de mérito humano é lançada ao desprezo eterno. Não há doutrina mais humilhante nas Escrituras do que a da eleição, nenhuma outra que mais promova a gratidão, e, consequentemente, nenhuma mais santificante. Os crentes não devem ter medo dela, mas, com adoração, alegrarem-se nela.