Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 30 de outubro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Eu te louvarei, Senhor (…)

(Sl 9:1)

O louvor deve sempre seguir a oração respondida, tal como a névoa da gratidão terrena sobe quando o sol do amor celeste aquece o chão. Porventura tem o Senhor se compadecido de ti, e inclinado Seu ouvido à voz da tua súplica? Então, louve-O enquanto viveres. Deixe o fruto maduro cair sobre o solo fértil de onde ele extrai sua própria vida. Não negue o louvor Àquele que respondeu a tua oração, e concedeu o desejo do teu coração.

Ficar em silêncio a respeito das misericórdias de Deus é incorrer em culpa de ingratidão; é agir de forma vil, tal como os nove leprosos que, depois de terem sido curados de sua lepra, não retornaram para dar graças ao Senhor (Lc 17:17). Esquecer de louvar a Deus é recusar a beneficiar a si mesmo, pois o louvor, assim como a oração, é um grande meio de promover o crescimento da vida espiritual. O louvor ajuda a remover os nossos fardos, a estimular nossa esperança, a aumentar a nossa fé; é um exercício saudável e revigorante, que acelera a pulsação do crente e o anima para novas iniciativas no serviço de seu Mestre. Bendizer a Deus pelas misericórdias recebidas é também a maneira de beneficiar nossos semelhantes; "os mansos o ouvirão e se alegrarão" (Sl 34:2). Outros que estiverem em iguais circunstâncias encontrarão conforto se pudermos dizer: "Engrandecei ao Senhor comigo; e juntos exaltemos o seu nome (…) Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu" (Sl 34:3,6). Corações fracos serão fortalecidos, e os santos enfraquecidos serão revividos enquanto ouvem nossos "cânticos de livramento" (Sl 32:7). Suas dúvidas e medos serão rechaçados conforme ensinamos e admoestamos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais (Cl 3:16).

Eles também "cantarão os caminhos do Senhor" (Sl 138:5) quando nos ouvirem magnificar o Seu santo nome. O louvor é o mais celestial dos deveres cristãos. Os anjos não oram, porém não cessam de louvar dia e noite; e os redimidos, vestidos de alvas vestiduras, com ramos de palmeiras nas mãos, nunca se cansam de louvar um novo cântico: "Digno é o Cordeiro" (Ap 5:12).

Noite

Ó tu, que habitas nos jardins, os companheiros estão atentos para ouvir a tua voz (…)

(Ct 8:13)

Meu doce Senhor Jesus bem Se lembra do jardim do Getsêmani; embora tenha deixado aquele jardim, Ele agora habita no jardim de Sua igreja; aqui, Ele revela a Si mesmo àqueles que guardam Sua bendita companhia. Aquela voz de amor, com a qual Ele fala ao Seu amado, é mais musical do que as harpas celestiais. Há nela uma profundidade de melodioso amor que deixa toda a música humana muito para trás. Milhares na Terra, e outros milhões acima, são favorecidos com essa harmoniosa voz. Alguns que eu bem conheço, e outros que eu muito invejo, estão neste momento ouvindo a adorada voz.

Ó, que eu fosse um dos participantes de suas alegrias! É verdade que alguns deles são pobres, outros acamados, e outros perto das portas da morte; mas, ó meu Senhor, eu passaria fome alegremente com eles, definharia com eles, ou morreria com eles, se pudesse tão apenas ouvir a Tua voz. Uma vez que eu já a ouvi muitas vezes, contudo, tenho entristecido Teu Espírito. Tornai a mim em compaixão e, mais uma vez, diga-me: "Eu sou a tua salvação" (Sl 35:3). Nenhuma outra voz pode me satisfazer; eu conheço a Tua voz, e não posso ser enganado por outra; deixe-me ouvi-la, peço-Te. Eu não sei o que queres dizer, nem faço qualquer condição, ó meu Amado; deixe-me apenas ouvir-Te falar, e, se for uma repreensão, Te abençoarei por ela. Talvez para limpar meu entorpecido ouvido, posso necessitar uma operação muito dolorosa para a carne; no entanto, custe o que for, não irei retroceder do desejo ardente de ouvir a Tua voz. Fure minha orelha mais uma vez (Ex 21:1-6; Sl 40:6); fure minha orelha com as Tuas notas mais ásperas, apenas não me permita continuar surdo aos Teus chamados.

Esta noite, Senhor, concede a este indigno seu desejo, porque eu sou Teu, e Tu me compraste com Teu sangue. Tu abriste os meus olhos para ver-Te, e o olhar me salvou (Is 45:22). Senhor, abre Tu meus ouvidos. Eu li o Teu coração; agora, deixe-me ouvir os Teus lábios.