Meditarei nos teus preceitos (…)
(Sl 119:15)
Há momentos em que a solidão é melhor que a sociabilidade, e o silêncio é mais sábio que a fala. Seremos melhores cristãos se estivermos mais a sós, esperando em Deus, recolhendo, pela meditação em Sua Palavra, força espiritual para o trabalho em Seu serviço. Devemos meditar sobre as coisas de Deus, pois assim obteremos o seu verdadeiro alimento. A verdade é como o cacho da videira: se quisermos o seu vinho, devemos esmagá-lo; devemos pressionar e apertar muitas vezes. Os pés daquele que pisa devem descer alegremente sobre os cachos, ou, então, o suco não fluirá; eles também devem pisar as uvas, senão muito do precioso líquido será desperdiçado.
Assim, temos de, por meio da meditação, pisar os cachos da verdade se quisermos obter o seu vinho de consolação. Nossos corpos não são mantidos apenas pela comida que vem pela boca; o processo que realmente alimenta músculos e nervos, tendões e ossos, é o processo de digestão. É pela digestão que o alimento exterior assimila-se com a vida interior. Nossas almas não são nutridas apenas pelo ouvir, por algum tempo, isso, e em seguida aquilo, e logo depois uma outra parte da verdade divina. Ouvir, ler, anotar, aprender, tudo exige digestão interior para completar sua utilidade, e a digestão interior da verdade encontra-se, em sua maior parte, no meditar sobre ela. Por que é que alguns cristãos, apesar de ouvirem muitos sermões, avançam lentamente na vida divina? Porque negligenciam seus momentos particulares e não meditam cuidadosamente na Palavra de Deus. Eles amam o trigo, mas não o moem; eles têm milho, mas não saem aos campos para recolhê-lo; o fruto está pendurado na árvore, mas não vão arrancá-lo; a água flui em seus pés, mas não se inclinam para beber. De tal loucura, livrai-nos, Senhor, e esta seja a nossa vontade nesta manhã: "Meditarei nos teus preceitos".