Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 10 de outubro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória

(Jd 1:24)

Medite nesta maravilhosa palavra: "Irrepreensíveis"! Estamos longe disso agora, mas como nosso Senhor nunca cessa antes da perfeição em Sua obra de amor, nós iremos alcançála um dia. O Salvador, que sustentará Seu povo até o fim, também irá apresentá-lo, ao final, para Si mesmo, como uma "igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5:27). Todas as jóias da coroa do Salvador são pedras preciosas de insuperável qualidade e sem uma única falha. Todas as damas de honra que cuidam da esposa do Cordeiro são virgens puras, sem defeito ou mancha.

Mas como é que Jesus nos fará irrepreensíveis? Ele nos lavará de nossos pecados em Seu próprio sangue até que sejamos alvos e justos como o mais puro anjo de Deus; seremos também vestidos de Sua justiça, a justiça que faz do santo que a veste absolutamente irrepreensível; sim, perfeito aos olhos de Deus. Seremos imaculados e irrepreensíveis até mesmo aos Seus olhos. Sua lei não apenas não terá qualquer acusação contra nós, como será magnificada em nós. Além disso, a obra do Espírito Santo dentro de nós estará totalmente completa. Ele nos fará tão perfeitamente santos que não teremos qualquer tendência persistente para o pecado. Ideia, memória, vontade, todo o poder e paixão serão emancipados da escravidão do mal. Seremos santos como Deus é santo, e em Sua presença habitaremos para sempre.

Os santos não estarão fora de lugar no céu, pois a beleza deles será tão grande como a do lugar que lhes está preparado. Oh, o arrebatamento daquela hora em que as portas eternas serão levantadas, e nós, sendo feitos conhecedores da herança, habitaremos com os santos na luz (Cl 1:12). O pecado foi embora, Satanás se calou, a tentação passou para sempre, e nós mesmos "irrepreensíveis" diante de Deus; isso será o céu, de fato! Estejamos felizes, agora, do mesmo modo quando recitaremos a canção de louvor eterno tão logo se apresente em coro todo o exército lavado pelo sangue; vamos imitar a exultação de Davi diante da arca (2Sm 6:14), como um prelúdio aos nossos êxtases diante do trono.

Noite

E arrebatar-te-ei da mão dos malignos, e livrar-te-ei da mão dos fortes

(Jr 15:21)

Observe a gloriosa pessoalidade da promessa: "Arrebatar-te-ei" e "livrar-te-ei". O próprio Senhor Jeová Se interpõe para libertar e resgatar Seu povo. Ele Se compromete a resgatá-los pessoalmente. Seu próprio braço irá fazê-lo para que Ele tenha a glória. Não há aqui uma palavra sequer sobre qualquer esforço de nossa parte para ajudar o Senhor.

Nem a nossa força, nem a nossa fraqueza são levadas em conta, mas apenas Ele, assim como o sol brilha resplandecente no céu em toda suficiência. Por que, então, consideramos nossas forças, e contamos com a carne e o sangue? Jeová tem suficiente poder para que precise tomar emprestado o nosso débil braço. Paz, ó pensamentos descrentes; fiquem tranquilos e saibam que o Senhor reina. Também não há uma consideração sequer sobre meios secundários e outras causas.

O Senhor não diz coisa alguma de amigos ou ajudantes. Ele toma o trabalho apenas para Si, e não sente qualquer necessidade de braços humanos para ajudá-Lo. Vaidosas são todas as nossas buscas por companheiros e parentes; eles serão como juncos quebrados se nos apoiarmos neles: muitas vezes sem vontade quando são capazes, e incapazes quando estão com vontade. Uma vez que a promessa veio exclusivamente de Deus, é bom esperar apenas nEle, e quando fazemos isso, nossa expectativa nunca falha. Quem são os ímpios a quem deveríamos temer? O Senhor irá consumi-los totalmente; são dignos de pena, em vez de serem temidos. Como homens terríveis, eles aterrorizam apenas aqueles que não têm Deus para que possam se socorrer, pois quando o Senhor está do nosso lado, a quem temeremos?

Se corrermos para o pecado para agradar os ímpios, teremos motivo para nos alarmar, mas se retivermos firmemente a nossa integridade, a raiva dos tiranos será anulada para o nosso bem. Quando o peixe engoliu Jonas (Jn 1:17), encontrou-o como um bocado que não podia digerir, e quando o mundo devora a igreja, é regozijante ser livrado dele. Em todos os momentos de inflamada provação, em paciência vamos manter nossas almas.