Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 7 de setembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico

(Mc 2:4)

A fé é repleta de invenções. A casa estava cheia, uma multidão bloqueava a porta, porém a fé encontrou um caminho para chegar ao Senhor e colocar o homem paralítico diante dEle. Se não podemos levar os pecadores onde Jesus está por métodos comuns, devemos utilizar os incomuns. Parece que, conforme Lucas 5:19, algumas telhas foram removidas, o que poderia gerar poeira e causar algum perigo para os que estavam embaixo, mas onde o caso é muito urgente, não devemos nos importar em correr alguns riscos e surpreender algumas regras comuns. Jesus estava ali para curar, e, por isso, caísse o que for, a fé arriscaria tudo para que o pobre paralítico pudesse ter seus pecados perdoados. Ó, que possamos ter uma fé mais ousada em nosso meio! Esta manhã, caro leitor, podemos buscá-la para nós e para nossos companheiros de trabalho, em vez de tentar realizar algum ato corajoso por amor das almas e da glória do Senhor. O mundo está constantemente inventando; a sagacidade satisfaz todos os propósitos do desejo humano; acaso não pode também a fé ser inventada e alcançar, por novos meios, aos desamparados que perecem ao nosso redor? A presença de Jesus era o que animava a coragem vitoriosa dos quatro homens que carregavam o paralítico; porventura não está o Senhor, agora, em nosso meio? Não vimos Sua face para nós esta manhã? Será que não sentimos Seu poder de cura em nossas almas?

Então, se assim o for, por entre a porta, por entre a janela, por entre o telhado, vamos, rompendo todos os impedimentos, trabalhar para trazer as pobres almas até Jesus. Todos os meios são benéficos e decorosos quando a fé e o amor estão verdadeiramente postos para ganhar almas. Se a fome de pão pode romper muros de pedra, certamente a fome de almas não poderá ser embaraçada em seus esforços. Ó Senhor, façanos vivos para buscar métodos para alcançar os Teus pobres e queridos enfermos pelo pecado, e corajosamente carregá-los de todos os perigos.

Noite

(…) no mar há angústia, não se pode sossegar

(Jr 49:23)

Pouco sabemos dos sofrimentos que podem estar sobre o mar neste momento. Estamos seguros em nosso tranquilo aposento, porém, muito longe, no salgado mar, o furacão pode estar cruelmente buscando a vida dos homens. Ouça como os demônios da morte uivam por entre as cordas, e como cada costado do navio começa a bater sobre o mastro! Deus vos ajude, vós, marinheiros encharcados e cansados! Minha oração vai até o grande Senhor do mar e da terra para que Ele acalme a tormenta e os traga ao seu porto desejado!

Eu não deveria oferecer apenas uma oração; eu deveria tentar ajudar constantemente esses valorosos homens que arriscam suas vidas. Já fiz eu alguma coisa por eles? O que posso fazer? Quantas vezes o turbulento mar engole o marinheiro! Milhares de corpos se encontram nas profundezas onde as pérolas descansam.

Há morte e tristeza sobre o mar, ecoado pelo longo pranto de viúvas e órfãos. O sal do mar está em muitos olhos de mães e esposas. Ondas sem remorsos, vós devorais o amor das mulheres e a continuidade das famílias. Que ressurreição haverá das cavernas do abismo quando o mar entregar os seus mortos (Ap 20:13)! Até então, haverá tristeza no mar. Como se em sintonia com os infortúnios da terra, o mar é sempre temível ao longo de mil praias, lamuriando um triste clamor, ecoando um estrondo de inquietação, rugindo um descontentamento selvagem, inflamado com ira, tilintando com as vozes de dez mil seixos murmurando. O rugido do mar pode ser motivo de alegria para um espírito alegre, mas ao filho da tristeza, o grande oceano é ainda mais desprezado do que o grande mundo.

Esse não é o nosso descanso, e as ondas inquietas nos dizem isso. Existe uma terra onde não há mais mar (Ap 21:1); nossos rostos estão firmemente fixados em sua direção; estamos indo para o lugar onde o Senhor o disse. Até então, nós lançamos nossas tristezas no Senhor que caminhou sobre o mar, e que fez um caminho para Seu povo através de suas profundezas.