Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 18 de agosto

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) porquanto vieram estrangeiros contra os santuários da casa do Senhor

(Jr 51:51)

Por conta disso, o rosto do povo do Senhor ficou coberto de vergonha, pois era uma terrível coisa que aqueles homens se intrometessem no Lugar Santo, reservado apenas aos sacerdotes. Em todos os lugares vemos motivos de tristeza. Quantos homens ímpios estão, agora, ensinando uma percepção de admissão ao ministério! Que pecados é essa solene mentira pela qual toda a nossa população é nominalmente englobada na Igreja Nacional! Quão temíveis são essas ordenanças que são postas sobre o não convertido, e que entre as igrejas mais esclarecidas da nossa terra haja tal frouxidão de disciplina.

Se todos os que lerão este texto levassem esse assunto diante do Senhor Jesus neste dia, Ele interferiria e evitaria o mal que virá sobre Sua Igreja. Adulterar a Igreja é poluir um poço, é derramar água sobre o fogo, é semear um campo fértil com pedras. Que todos possamos ter graça para manter a pureza da Igreja como sendo um conjunto de crentes, e não uma nação, uma comunidade de homens não convertidos e não salvos. Nosso zelo deve, no entanto, começar em casa. Vamos examinar a nós mesmos o nosso direito de comer à mesa do Senhor. Vejamos se estamos trajados com nossas vestes de casamento, para que não sejamos intrusos no santuário do Senhor. Muitos são chamados, porém poucos escolhidos (Mt 22:14); o caminho é estreito, e a porta é estreita.

Ó, graça para chegar a Jesus corretamente, com a fé dos eleitos de Deus. Aquele que feriu Uzá por tocar a arca (2Sm 6:7) é muito zeloso com Suas duas ordenanças; como um verdadeiro crente, eu posso me aproximar delas livremente, mas, como um estrangeiro, eu não devo tocá-las, para que não morra. Inteireza de coração é o dever de todos os que são batizados ou veem à mesa do Senhor. "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos" (Sl 139:23). A citação à "Igreja Nacional" diz respeito à Igreja da Inglaterra (também denominada Anglicana ou Episcopal). (N.T.)

Noite

E deram-lhe a beber vinho com mirra, mas ele não o tomou

(Mc 15:23)

A verdade de ouro está expressa no fato que o Salvador afastou o cálice de vinho com mirra dos Seus lábios. No mais alto céu, o Filho de Deus em pé na eternidade, ao olhar para baixo em direção ao nosso globo, mediu a longa descida para a mais longínqua profundeza da miséria humana; Ele calculou a soma total de todas as agonias que a expiação exigiria e não a diminuiu em nada sequer. Ele solenemente determinou que, para oferecer um sacrifício expiatório suficiente, Ele percorreria todo o caminho, desde o mais alto ao mais baixo, do trono de maior glória para a cruz da mais profunda aflição. Este cálice de mirra, com sua influência soporífera, teria reduzido um pouco o limite máximo da miséria e, por isso, Ele o recusou. Ele não pararia antes de tudo aquilo que Se comprometeu a sofrer por Seu povo.

Ah, quantos de nós temos buscado socorros as nossas dores, socorros que nos seriam prejudiciais! Leitor, porventura você nunca orou por uma libertação do duro serviço, ou do sofrimento, com petulante e voluntariosa ânsia? A providência tomou de você o desejo de seus olhos com um golpe. Veja, cristão, se fosse dito: "Se você assim deseja, que o ente querido de vocês viva, porém Deus será desonrado", poderia você repudiar essa tentação, e dizer: "Tua vontade seja feita"? Oh, é doce ser capaz de dizer: "Meu Senhor, se por outras razões eu não preciso sofrer, está bem; contudo, se eu puder mais Te honrar pelo sofrimento, e se a perda de todas as minhas coisas terrenas trará glória a Ti, então, que assim seja; eu recuso o conforto se isso sucede em Tua glória". Ó, que nós, portanto, andemos mais nos passos de nosso Senhor, com alegria duradoura nas provações por causa dEle, prontamente e de bom grado afastando o pensamento e o consolo sobre nós mesmos quando isso interferir com o término de nosso trabalho que Ele nos deu a fazer. Grande graça é necessária, mas grande graça é fornecida.