Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 13 de agosto

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) os cedros do Líbano que ele plantou

(Sl 104:16)

Os cedros do Líbano são os símbolos dos cristãos, pois eles devem sua plantação inteiramente ao Senhor. Isso é verdade para cada filho de Deus. Ele não é plantado pelo homem, nem plantado por si mesmo, mas plantado por Deus. A mão misteriosa do Espírito divino fez cair a viva semente em um coração que Ele mesmo preparou para recebê-la. Todo verdadeiro herdeiro do céu possui o grande Lavrador como seu plantador.

Além disso, os cedros do Líbano não dependem do ser humano para sua rega; eles estão sobre rocha elevada, não sendo irrigados pelo homem, mas o nosso Pai celestial os supre. Assim é com o cristão que aprendeu a viver pela fé. Ele independe do homem, mesmo nas coisas temporais; para sua contínua manutenção, ele olha para o Senhor seu Deus, e somente para Ele. O orvalho do céu é sua porção, e o Deus dos céus é sua fonte. Os cedros do Líbano não estão protegidos por um poder mortal. Eles não devem coisa alguma ao homem para serem preservados contra as tempestades e os tormentosos ventos. Os cedros são árvores de Deus, mantidos e preservados por Ele, e apenas por Ele. É exatamente a mesma coisa com o cristão. Ele não é uma planta de estufa, protegido das tentações. Ele está na posição mais exposta; ele não tem refúgio ou proteção, exceto isto: que as vastas asas do Deus eterno sempre abrigam os cedros que Ele mesmo plantou.

Assim como os cedros, os crentes estão cheios de seiva, tendo vitalidade suficiente para serem sempre verdes, mesmo em meio à neve do inverno. Por fim, a condição florescente e majestosa do cedro é apenas para o louvor de Deus. O Senhor, e apenas o Senhor, é tudo para o cedro, e, por isso, Davi muito docemente os coloca em um de seus Salmos: "Louvai ao Senhor desde a terra: vós (…) árvores frutíferas e todos os cedros" (Sl 148:7, 9). No crente, não há coisa alguma que possa magnificar o homem; ele é plantado, nutrido e protegido pela própria mão do Senhor, e para Ele toda a glória seja atribuída.

Noite

Então me lembrarei da minha aliança (…)

(Gn 9:15)

Repare a forma da promessa. Deus não diz: "E quando vós olhardes o arco, e vos lembrardes do meu pacto, então, não destruirei a Terra"; a promessa não é posta em nossa memória, que é inconstante e frágil, mas é gloriosamente posta na memória Deus, que é infinito e imutável. "E estará o arco nas nuvens, e eu o verei, para me lembrar da aliança eterna entre Deus e toda a alma vivente de toda a carne, que está sobre a terra" (Gn 9:16). Oh! não é a minha lembrança de Deus, mas a lembrança de Deus sobre mim, que é a base da minha segurança; não sou eu lançando mão de Sua aliança, mas Sua aliança que lança mão de mim. Glória a Deus!

Todo o conjunto dos baluartes da salvação estão protegidos pelo poder divino, e mesmo as menores torres, que poderíamos supor que seriam deixadas ao homem, estão guardadas pela onipotente força. Até mesmo a lembrança do pacto não é deixada as nossas memórias, pois podemos esquecê-la, mas o Senhor não pode esquecer os santos a quem Ele gravou nas palmas de Suas mãos. A aliança está conosco, tal como com Israel no Egito; o sangue estava sobre a verga da porta e entre os dois alpendres laterais; e o Senhor não disse: "Quando você vir o sangue, Eu passarei por cima de vós", mas: "Quando Eu vir o sangue, passarei por cima de vós" (Ex 12:13). Meu olhar para Jesus traz-me alegria e paz, mas é o olhar de Deus para Jesus que assegura minha salvação e a de todos os Seus eleitos, uma vez que é impossível para o nosso Deus olhar para Cristo, nosso ensanguentado Fiador, e depois ficar com raiva de nós pelos pecados já nEle castigados. Não, não é deixado a nós nem ao menos sermos salvos pela lembrança da aliança. Não há serguilha ou droguete aqui; nem um único fio solto no tecido. Não é do homem, nem por homem algum, mas do Senhor apenas (Sl 3:8). Devemos nos lembrar do pacto, e certamente o faremos por meio da graça divina, porém a dobradiça da nossa segurança não se pendura lá; é Deus que Se lembra de nós, e não nós que nos lembramos dEle; portanto, a aliança é uma aliança eterna.