Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 2 de agosto

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade

(Ef 1:11)

Nossa crença na sabedoria de Deus supõe e exige que Ele tem um propósito e um plano estabelecido na obra da salvação. O que seria a criação sem o Seu designo? Porventura há um peixe no mar, ou uma ave no céu, que tenha sido deixado ao acaso para que formasse a si mesmo? Não; em todos os ossos, articulações, músculos, tendões, glândulas e vasos sanguíneos, você percebe a presença de um Deus operando em tudo, de acordo com o projeto de Sua infinita sabedoria. E acaso Deus estaria presente na criação, governando sobre tudo, mas não na graça?

Poderia, a nova criação, ter um gênio inconstante ao livre arbítrio para governá-la, enquanto o conselho divino rege a velha criação? Olhe para a Providência! Quem não sabe que nem ao menos um pardal cai no chão sem o conhecimento de Deus? Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados (Mt 10:30). Deus pesa as montanhas de nossas dores em escalas, e as colinas de nossa tribulação em balanças. E haverá um Deus na providência e não na graça? Pode a casca ser ordenada pela sabedoria, e a semente ser deixada ao acaso? Não; Ele conhece o fim desde o começo. Ele vê cada coisa em seu lugar designado, não apenas a pedra que colocou em antimônio pelo sangue de Seu Filho amado, mas observa, em suas posições ordenadas, cada uma das pedras escolhidas que foram retiradas da pedreira da natureza e polidas por Sua graça. Ele vê o todo, desde as extremidades até o topo, da base ao cume, desde a fundação ao pináculo. Ele tem em Sua mente um claro conhecimento de todas as pedras que serão colocadas no lugar preparado, e quão vasto será o edifício quando Ele trouxer a pedra angular com aclamações: "Graça, graça a ela!" (Zc 4:7). Por fim, deve ser percebido claramente que, em cada vaso escolhido de misericórdia, o Senhor fez o que aprouve a Sua própria vontade, e que em todas as partes da obra da graça, Ele cumpriu Seu propósito, e glorificou Seu próprio nome.

Noite

E esteve ela apanhando naquele campo até à tarde (…)

(Rt 2:17)

Deixe-me aprender com Rute, a colhedora. Tal como ela saiu para recolher espigas de milho, devo eu ir para os campos da oração, da meditação, das ordenanças e do ouvir a palavra, para apanhar o alimento espiritual. A colhedora reúne sua porção, espiga a espiga; seus ganhos são pouco a pouco; logo, devo ficar satisfeito em apanhar tão somente algumas verdades, se não houver maior abundância delas. Cada espiga ajuda a fazer um feixe, e cada lição do evangelho ajuda a nos tornar sábios para a salvação. A colhedora mantém os olhos abertos; se tropeçar entre o restolho, ela não terá qualquer carga para alegremente levar para casa ao anoitecer.

Devo estar atento, em exercícios religiosos, para que eles não se tornem inúteis para mim; eu temo que já tenha perdido muito; ó, que eu possa estimar corretamente minhas oportunidades e recolher com maior diligência. A colhedora inclina-se para tudo o que acha, e assim também eu. Espíritos altivos criticam e contestam, porém mentes humildes recolhem e recebem o benefício. Um coração humilde é um grande auxílio para uma audição proveitosa do evangelho. A penetrante palavra de salvação não é recebida senão com mansidão. A dura cerviz faz um mau catador; para baixo, orgulho-mor, pois és um ladrão vil que não deve permanecer por sequer um momento. Aquilo que a colhedora reúne, ela segura; se deixar cair uma espiga ao encontrar outra, o resultado do seu dia de trabalho será escasso; ela é cuidadosa tanto em reter como em obter, e, assim, seus ganhos são grandes ao final. Quão frequentemente esqueço tudo aquilo que ouvi; a segunda verdade empurra a primeira para fora da minha mente; por isso, minha leitura, e aquilo que ouço, terminam em muito barulho para nada!

Acaso eu sinto devidamente a importância de armazenar a verdade? O estômago com fome torna sábia a colhedora; se não houver milho em sua mão, não haverá pão em sua mesa; ela trabalha sob o sentido de necessidade; por isso, seu caminho é ágil e sua pegada é firme. Eu tenho uma necessidade ainda maior; Senhor, ajuda-me a senti-la para que ela me encoraje a ir adiante, a colher em campos que produzem uma recompensa tão abundante à diligência.