(…) daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade
(Ef 1:11)
Nossa crença na sabedoria de Deus supõe e exige que Ele tem um propósito e um plano estabelecido na obra da salvação. O que seria a criação sem o Seu designo? Porventura há um peixe no mar, ou uma ave no céu, que tenha sido deixado ao acaso para que formasse a si mesmo? Não; em todos os ossos, articulações, músculos, tendões, glândulas e vasos sanguíneos, você percebe a presença de um Deus operando em tudo, de acordo com o projeto de Sua infinita sabedoria. E acaso Deus estaria presente na criação, governando sobre tudo, mas não na graça?
Poderia, a nova criação, ter um gênio inconstante ao livre arbítrio para governá-la, enquanto o conselho divino rege a velha criação? Olhe para a Providência! Quem não sabe que nem ao menos um pardal cai no chão sem o conhecimento de Deus? Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados (Mt 10:30). Deus pesa as montanhas de nossas dores em escalas, e as colinas de nossa tribulação em balanças. E haverá um Deus na providência e não na graça? Pode a casca ser ordenada pela sabedoria, e a semente ser deixada ao acaso? Não; Ele conhece o fim desde o começo. Ele vê cada coisa em seu lugar designado, não apenas a pedra que colocou em antimônio pelo sangue de Seu Filho amado, mas observa, em suas posições ordenadas, cada uma das pedras escolhidas que foram retiradas da pedreira da natureza e polidas por Sua graça. Ele vê o todo, desde as extremidades até o topo, da base ao cume, desde a fundação ao pináculo. Ele tem em Sua mente um claro conhecimento de todas as pedras que serão colocadas no lugar preparado, e quão vasto será o edifício quando Ele trouxer a pedra angular com aclamações: "Graça, graça a ela!" (Zc 4:7). Por fim, deve ser percebido claramente que, em cada vaso escolhido de misericórdia, o Senhor fez o que aprouve a Sua própria vontade, e que em todas as partes da obra da graça, Ele cumpriu Seu propósito, e glorificou Seu próprio nome.