Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 25 de julho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) E ele deixou a sua roupa na mão dela, e fugiu, e saiu para fora

(Gn 39:12)

Na luta contra certos pecados, não resta outra forma de vitória senão a fuga. Os naturalistas antigos muito escreveram sobre os basiliscos, cujos olhos fascinavam suas vítimas, e as tornavam presas fáceis; do mesmo modo, o mero olhar da maldade nos coloca em solene perigo. Aquele que quiser ser salvo de atos de maldade deve ter pressa em sair de ocasiões assim. Uma aliança deve ser feita com nossos olhos para nem mesmo olharem a causa de tentação, pois tais pecados só precisam de uma faísca para começarem, e logo uma chama surge em um instante. Quem entraria deliberadamente na prisão do leproso e dormiria em meio a sua horrível corrupção?

Apenas aquele que deseja ficar leproso agiria assim. Se o marinheiro soubesse como evitar uma tempestade, ele faria qualquer coisa em vez de correr o risco de enfrentá-la. Navegadores cautelosos não têm qualquer intenção de experimentar quão perto da areia movediça podem navegar, ou quantas vezes podem tocar em uma rocha sem provocar um naufrágio; o objetivo deles é se manterem, o mais próximo possível, no meio de um canal seguro. Talvez neste dia eu possa ser exposto a grandes perigos; então, que eu tenha a esperteza da serpente para me manter afastado e escapar deles. As asas de uma pomba podem ser mais úteis para mim hoje do que as garras de um leão. É verdade que eu posso ser um aparente perdedor por rechaçar a companhia do mal, mas é preferível deixar meu manto do que perder meu caráter; não é necessário que eu seja vigoroso, mas é imperativo que eu seja puro. Não há laços de amizade, correntes de beleza, lampejos de talento, tiradas extravagantes que me façam mudar da sábia decisão de fugir do pecado.

Do diabo, resistindo, ele fugirá de mim; contudo, dos desejos da carne, eu devo fugir, ou certamente eles irão me derrotar. Ó, Deus de santidade, preserve Teus Josés; que a "Madame Bubble" não os enfeitice com suas vis sugestões. Que a trindade horrível do mundo, da carne, e do diabo nunca nos derrote! "Madame Bubble" é um personagem da segunda parte do livro "O Peregrino", escrito pelo pregador John Bunyan (1628 - 1688), publicado na Inglaterra, em 1684. Trata-se de uma feiticeira que representa a mulher adúltera mencionada no livro de Provérbios. (N.T.)

Noite

(…) estando eles angustiados, de madrugada me buscarão

(Os 5:15)

Perdas e adversidades são muitas vezes os meios que o grande Pastor utiliza para trazer para casa Sua ovelha perdida; elas são como cães ferozes, afligindo os errantes de volta ao redil. Não há necessidade de amansar leões se eles estão bem alimentados; eles devem ser derrubados de sua grande força, seus estômagos esvaziados e, então, irão se submeter à mão do domador; muitas vezes vemos o cristão tornado-se obediente à vontade do Senhor pelo aperto do pão e pelo trabalho duro. Quando enriquecidos e elevados em bens, muitos professores andam com suas cabeças de forma bastante soberba, e falam arrogantemente. Como Davi, eles se gabam: "Minha montanha permanece firme", "não vacilarei jamais" (Sl 30:6). Quando o cristão cresce em riqueza, em boa reputação, boa saúde, e em uma família feliz, muitas vezes ele admite o "Sr. Segurança Carnal" cear em sua mesa e, então, se ele for um verdadeiro filho de Deus, há uma vara preparada para ele. Aguarde um pouco, e pode ser que você veja sua firmeza derreter como um sonho. Lá se vai uma parte de sua propriedade; quão rápido os acres mudam de mãos. Aquela dívida, a desonrosa fatura; quão rápida suas perdas vêm chegando; onde elas terminarão? É um abençoado sinal da vida divina, quando esses embaraços ocorrem um após o outro, se o cristão começa a ser angustiado com suas rebeldias e se entrega ao seu Deus. Bem-aventuradas são as ondas que lavam o marinheiro sobre a rocha da salvação!

Perdas nos negócios muitas vezes são santificantes para enriquecer nossa alma. Se a alma eleita não vier com mão cheia para o Senhor, ela virá de mãos vazias. Se Deus, em Sua graça, não achou, em qualquer outro meio, nos fazer honrá-Lo entre os homens, Ele irá nos lançar ao abismo; se falharmos em honrá-Lo sobre o pináculo de riquezas, Ele nos levará para o vale da pobreza. No entanto, não desfaleça, herdeiro da tristeza, quando fores assim repreendido; antes, reconheça a mão amorosa que castiga, e diga: "Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai" (Lc 15:18). "Sr. Segurança Carnal" é um personagem do livro "A Guerra Santa", escrito pelo pregador John Bunyan (1628 - 1688), publicado na Inglaterra, em 1682. (N.T.)