Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 4 de julho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Santifica-os na tua verdade (…)

(Jo 17:17)

A santificação começa na regeneração. O Espírito de Deus infunde no homem aquele princípio de vida nova pela qual ele se torna "uma nova criatura" em Cristo Jesus (2Co 5:17). Essa obra, que começa com o novo nascimento, é realizada de duas maneiras: mortificação, onde os desejos da carne são subjugados e dominados, e vivificação, pela qual a vida que Deus colocou dentro de nós é feita para ser uma fonte de água que salte para a vida eterna (Jo 4:14). Isso é realizado todos os dias naquilo que é chamado de "perseverança", onde o cristão é preservado e mantido em um estado de graça, e feito para abundar em boas obras para o louvor e glória de Deus, culminando, ou chegando à perfeição, na "glória", onde a alma, sendo completamente purgada, é arrebatada para habitar com os santos, à mão direita da Majestade no céu. Mas, enquanto o Espírito de Deus é o autor da santificação, há ainda uma atividade visível que é realizada e que não deve ser esquecida: "Santifica-os", disse Jesus, "na tua verdade, a tua palavra é a verdade".

As passagens da Escritura que comprovam que o instrumento da nossa santificação é a Palavra de Deus são muitas. O Espírito de Deus traz à mente os preceitos e doutrinas da verdade, e os aplica com poder. Elas são ouvidas pelo ouvido e recebidas no coração, e trabalham em nós o querer e o efetuar a boa vontade de Deus (Fp 2:13). A verdade é a santificadora, e se nós não ouvirmos ou lermos a verdade, não cresceremos em santificação. Nós somente progredimos no chamado da vivificação conforme progredimos no chamado da compreensão.

"Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho" (Sl 119:105). Não diga de algum erro: "É uma mera questão de opinião". Nenhum homem cede a um erro de julgamento sem, cedo ou tarde, tolerar um erro de prática. Segure firme a verdade, pois assim você será santificado pelo Espírito de Deus.

Noite

Aquele que é limpo de mãos e puro de coração (…)

(Sl 24:4)

A prática exterior da santidade é uma marca muita preciosa da graça. É de se recear que muitos professores perverteram a doutrina da justificação pela fé, de modo a tratarem as boas obras com desprezo; se assim for, eles receberão desprezo eterno no último grande dia. Se as nossas mãos não estão limpas, vamos lavá-las no precioso sangue de Jesus e, então, levantar mãos puras para Deus. Contudo, "mãos limpas" não é suficiente, a menos que estejam ligadas a "um coração puro". A verdadeira religião é obra do coração. Podemos lavar o exterior do copo e do prato tanto quanto quisermos, mas se as partes internas forem imundas, estaremos completamente imundos aos olhos de Deus, pois nossos corações são verdadeiramente nós mesmos, mais do que são as nossas mãos; a verdadeira vida de nosso ser está na natureza interna e, portanto, há uma imperiosa necessidade de pureza interior. Os puros de coração verão a Deus (Mt 5:8), todos os outros são apenas morcegos cegos.

O homem que é nascido do céu "não entrega a sua alma à vaidade" (Sl 24:4). Todos os homens têm alegrias pelas quais suas almas são elevadas; os mundanos elevam suas almas em prazeres carnais, que são meras vaidades vazias, porém os santos têm mais amor pelas coisas substanciais; tal como Jeosafá, ele é elevado nos caminhos do Senhor. Aquele que se contenta com cascas será contado entre os porcos. Porventura o mundo satisfará a ti? Então, tens a tua porção e recompensa nesta vida; faça muito dela, pois tu não conheces outra alegria.

"Nem jura enganosamente". Os santos também são homens de honra. A palavra do homem cristão é o seu único juramento, porém é melhor do que vinte juramentos de outros homens. Falar enganosamente impedirá a entrada de qualquer homem ao céu, pois um mentiroso não entra na casa Deus, qualquer que seja sua profissão de fé ou ações. Leitor, acaso o texto diante de nós condena a ti, ou esperas subir ao monte do Senhor?