Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 26 de maio

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá (…)

(Sl 55:22)

Cuidados, mesmo quando exercidos sobre assuntos legítimos, se levados ao excesso, têm em si a natureza do pecado. O preceito para evitar os cuidados é fervorosamente repetido por nosso Salvador várias vezes (Mt 6:27); ele é reiterado pelos apóstolos (1Co 7:32), e é aquele que não pode ser negligenciado sem envolver transgressão, pois a própria essência dos cuidados é a suposição de que somos mais sábios que Deus, e nos colocamos em Seu lugar para fazer por Ele aquilo que Ele Se comprometeu a fazer por nós. Nós nos esforçamos para pensar naquilo que imaginamos que Ele poderá esquecer; trabalhamos para tomar sobre nós mesmos a nossa cansativa carga, como se Ele fosse incapaz ou não desejasse levá-la para nós. Agora, a desobediência a esse simples preceito, essa descrença em Sua Palavra, essa presunção em se intrometer em Sua atividade é absolutamente pecaminosa. No entanto, mais do que isso, os cuidados levam muitas vezes a atos de pecado.

Aquele que não pode calmamente deixar seus negócios na mão de Deus, mas que leva sua própria carga, é muito provável que fique tentado a usar meios errados para ajudar a si mesmo. Esse pecado leva ao abandono de Deus, como nosso conselheiro, para lançar mão da sabedoria humana. Vai-se à "cisterna rota" (Jr 2:13) em vez de ao "manancial", um pecado que foi imputado contra Israel nos tempos antigos. A ansiedade nos faz duvidar da benignidade de Deus, fazendo com que nosso amor por Ele esfrie; sentimos desconfiança e entristecemos o Espírito de Deus, de modo que nossas orações sejam impedidas, nosso perseverante exemplo seja desfigurado, e nossa vida um egoísmo. Assim, a desconfiança em Deus nos leva a caminharmos longe dEle; contudo, se através da fé simples em Sua promessa, lançarmos cada fardo que nos vem sobre Ele, e não ficarmos "inquietos por coisa alguma" (Fp 4:6), pois Ele Se comprometeu a cuidar de nós (1Pe 5:7), então, Ele nos manterá perto dEle e nos fortalecerá contra as tentações.

"Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti" (Is 26:3).

Noite

(…) permanecer na fé (…)

(At 14:22)

Perseverança é o emblema dos verdadeiros santos. A vida cristã não é apenas um iniciar nos caminhos de Deus, mas também uma continuação neles enquanto a vida dure. Para o cristão, a vida cristã é tal como foi para o grande Napoleão, quando disse: "Conquistar fez-me o que sou, e conquistar me sustenta". Assim, querido irmão no Senhor, a conquista fez de você o que você é, e a conquista irá sustentá-lo. Seu lema deve ser: Excelso.

Apenas aquele que é um verdadeiro conquistador, e que será coroado ao final, continua até que o trompete de guerra não mais ecoe. Perseverança é, portanto, o alvo de todos os nossos inimigos espirituais. O mundo não se opõe, apenas por algum tempo, a você ser cristão, mas busca fazer você cessar sua peregrinação e se assentar para comprar e vender na "Feira das Vaidades". A carne vai procurar iludi-lo e impedir sua passagem para a glória. "É uma tarefa cansativa ser um peregrino; venha, lance mão disso.

Não estou eu sempre a ser humilhado? Não estou eu sempre desfavorecido? Dê-me ao menos uma dispensa desta constante guerra". Satanás fará muitos ataques ferozes contra sua perseverança; ela será o alvo de todas as suas flechas. Ele se esforçará para atrapalhá-lo no culto; ele insinuará que você está fazendo nada de bom, e que aquilo que você deseja é descansar. Ele fará o possível para torná-lo cansado do sofrimento; ele sussurrará: "Amaldiçoa a Deus, e morre" (Jó 2:9); ou atacará sua firmeza: "Qual é vantagem de ser tão zeloso? Fique quieto como o resto; durma como os demais e deixe sua lâmpada acabar como fizeram as outras virgens"; ou irá atacar seus sentimentos doutrinários: "Por que você retêm estes credos denominacionais? Homens sensatos estão ficando mais liberais; eles estão removendo os antigos limites (Pv 22:28); conformese com os tempos". Portanto, cristão, ponha seu escudo perto de sua armadura e clame fortemente a Deus para que, pelo Seu Espírito, você possa perseverar até o fim. "Feira das Vaidades" é uma referência ao livro "O Peregrino", escrito pelo pregador John Bunyan (1628 - 1688), publicado na Inglaterra, em 1678. (N.T.)