O Senhor aperfeiçoará o que me toca (…)
(Sl 138:8)
A mais manifesta confiança que o salmista expressa aqui é a confiança divina. Ele não disse: "Eu tenho graça suficiente para aperfeiçoar aquilo que me toca; minha fé é tão firme que não irei cambalear; meu amor é tão ardente que ele nunca irá esfriar; minha resolução é tão firme que nada poderá movê-la". Não; sua dependência estava apenas no Senhor. Se tolerarmos qualquer confiança que não esteja fundada na Rocha eterna (Is 26:4), nossa confiança é pior que um sonho; ela cairá sobre nós, e nos cobrirá com suas ruínas para nossa tristeza e confusão. Toda aquela natureza encoberta o tempo irá desvendar para a confusão eterna de todos os que nela estão vestidos.
O salmista foi sábio; ele repousou sobre nada menos que a obra do Senhor. É o Senhor que começou a boa obra dentro de nós, e é Ele quem irá continuá-la; se Ele não a terminasse, ela nunca estaria completa. Se houver, na veste celestial da nossa justiça, alguma costura que inserimos por nós mesmos, então, estaremos perdidos; contudo, esta é a nossa confiança: que o Senhor que começou irá aperfeiçoá-la (Fp 1:6). Ele fez tudo, deve fazer tudo, e fará tudo. Nossa confiança não deve estar no que temos feito, nem naquilo que resolvemos fazer, mas inteiramente no que o Senhor fará. A incredulidade sugere: "Você nunca será capaz de ficar de pé. Olhe para o mal do seu coração; você nunca poderá vencer o pecado; lembre-se dos prazeres pecaminosos e das tentações do mundo que lhe importunam; você certamente será seduzido por elas e se desviará".
Ah! sim, nós realmente pereceríamos se fôssemos deixados a nossa própria força. Se tivéssemos de navegar sozinhos em nossos frágeis vasos através de um mar tão áspero, nós bem poderíamos abandonar a viagem em desespero; mas, graças a Deus, Ele irá aperfeiçoar o que começou em nós, e nos levará ao porto desejado. Nós nunca estaremos muito confiantes enquanto confiarmos apenas nEle, e nunca preocupados tendo uma tal confiança.