Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 4 de maio

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Porventura fará um homem deuses para si, que contudo não são deuses?

(Jr 16:20)

Um grande pecado que afligia constantemente o antigo Israel era a idolatria, e o Israel espiritual é atormentado com uma tendência para a mesma loucura. A estrela de Renfã (At 7:43) já não brilha, e as mulheres não choram mais por Tamuz (Ez 8:14), porém Mamon (Mt 6:24) continua introduzindo seu bezerro de ouro, e os santuários do orgulho não foram abandonados. Egoísmos de várias formas lutam para subjugar os escolhidos debaixo de seu domínio, e a carne levanta seus altares onde quer que encontre espaço para eles. Filhos favorecidos são muitas vezes a causa de diversos pecados entre os crentes; o Senhor sofre quando nos vê delirar sobre eles; eles existirão para serem uma grande maldição para nós, tal como Absalão foi para Davi, ou serão levados de nós, deixando nossas casas desoladas. Se os cristãos desejam que os espinhos cresçam de modo a encherem seus insones travesseiros, deixe-os idolatrarem seus entes queridos. Verdadeiramente foi dito que "não são deuses", porque os objetos de nosso tolo amor são bênçãos muito duvidosas; o consolo que nos dão agora é perigoso, e a ajuda que podem nos dar nas horas de dificuldade é certamente pouca. Por que, então, somos tão enfeitiçados pelas vaidades? Temos pena dos pobres pagãos que adoram um deus de pedra ou de ouro; no entanto, onde está a grande superioridade entre um deus de carne e um deus de madeira? O princípio, pecado e loucura, é o mesmo em ambos os casos, só que, em nosso caso, o crime é mais grave, pois temos mais esclarecimento, e pecamos diante de Deus. Os pagãos se curvam a uma divindade falsa, porém o verdadeiro Deus eles nunca conheceram; nós cometemos dois males, pois abandonamos o Deus vivo e nos convertemos aos ídolos! Que o Senhor nos expie a todos dessa grave iniquidade.

Noite

Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível (…)

(1Pe 1:23)

Pedro exortou fervorosamente os dispersos santos a amarem-se "ardentemente uns aos outros com um coração puro" (1Pe 1:22); de maneira sábia, ele não foi buscar seu argumento na lei, na natureza, ou na filosofia, mas na elevada e divina essência que Deus introduziu em Seu povo. Assim como alguns sábios tutores de príncipes trabalham para gerar e fomentar neles um espírito real e um comportamento respeitável, buscando argumentos na posição e descendência deles, Pedro, do mesmo modo, contemplando o povo de Deus como herdeiros da glória, príncipes de sangue real, descendentes do Rei dos reis, a mais verdadeira e antiga nobreza da Terra, disse-lhes: "Veja que vos ameis uns aos outros por causa de sua nobre origem, tendo nascido da semente incorruptível; que vos ameis uns aos outros por causa de sua dinastia, sendo descendente de Deus, o Criador de todas as coisas; e que vos ameis uns aos outros por causa de seu destino imortal, pois vocês nunca morrerão, embora a glória da carne desaparecerá, e sua existência cessará". Seria bom se, em espírito de humildade, reconhecêssemos a verdadeira dignidade de nossa natureza regenerada e vivêssemos fazendo jus a ela. O que é um cristão? Se você compará-lo a um rei, o cristão acrescenta santidade sacerdotal à dignidade real. A dignidade do rei muitas vezes jaz apenas em sua coroa, mas em um cristão ela é infundida em sua natureza mais íntima.

Através de seu novo nascimento, ele está tão acima de seus companheiros como um homem está acima do animal que perece. Certamente ele deve conduzir-se, em todas as suas relações, como alguém que não é da multidão, mas escolhido do mundo, distinguido pela graça soberana, inscrito entre "o povo adquirido" (1Pe 2:9), e que, portanto, não pode rastejar no pó como os demais, nem viver segundo a maneira dos cidadãos do mundo. Deixe a dignidade de sua natureza e o brilho de suas perspectivas, ó crentes em Cristo, constranger-vos a vos apegar à santidade e evitar a aparência do mal.