Porventura fará um homem deuses para si, que contudo não são deuses?
(Jr 16:20)
Um grande pecado que afligia constantemente o antigo Israel era a idolatria, e o Israel espiritual é atormentado com uma tendência para a mesma loucura. A estrela de Renfã (At 7:43) já não brilha, e as mulheres não choram mais por Tamuz (Ez 8:14), porém Mamon (Mt 6:24) continua introduzindo seu bezerro de ouro, e os santuários do orgulho não foram abandonados. Egoísmos de várias formas lutam para subjugar os escolhidos debaixo de seu domínio, e a carne levanta seus altares onde quer que encontre espaço para eles. Filhos favorecidos são muitas vezes a causa de diversos pecados entre os crentes; o Senhor sofre quando nos vê delirar sobre eles; eles existirão para serem uma grande maldição para nós, tal como Absalão foi para Davi, ou serão levados de nós, deixando nossas casas desoladas. Se os cristãos desejam que os espinhos cresçam de modo a encherem seus insones travesseiros, deixe-os idolatrarem seus entes queridos. Verdadeiramente foi dito que "não são deuses", porque os objetos de nosso tolo amor são bênçãos muito duvidosas; o consolo que nos dão agora é perigoso, e a ajuda que podem nos dar nas horas de dificuldade é certamente pouca. Por que, então, somos tão enfeitiçados pelas vaidades? Temos pena dos pobres pagãos que adoram um deus de pedra ou de ouro; no entanto, onde está a grande superioridade entre um deus de carne e um deus de madeira? O princípio, pecado e loucura, é o mesmo em ambos os casos, só que, em nosso caso, o crime é mais grave, pois temos mais esclarecimento, e pecamos diante de Deus. Os pagãos se curvam a uma divindade falsa, porém o verdadeiro Deus eles nunca conheceram; nós cometemos dois males, pois abandonamos o Deus vivo e nos convertemos aos ídolos! Que o Senhor nos expie a todos dessa grave iniquidade.