Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 30 de abril

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

E todos os filhos de Israel murmuraram (…)

(Nm 14:2)

Tanto há murmuradores entre os cristãos hoje como havia murmuradores no acampamento de Israel nos tempos antigos. Há aqueles que, quando estão sob a vara, clamam contra a aflitiva dispensação. Eles perguntam: "Por que sou assim tão afligido? O que eu fiz para ser castigado desta maneira?". Uma palavra a você, ó murmurador!

Por que deverias murmurar contra as dispensações de teu Pai celestial? Pode Ele te tratar mais duramente do que mereces? Consideres quão rebelde foste uma vez, porém Ele já te perdoou! Certamente se Ele, em Sua sabedoria, entende caber agora castigar-te, tu não deverias te queixar. Afinal, foste tu corrigido mais duramente do que teus pecados merecem?

Considere a corrupção que está no teu peito e, depois, assombra-te que não precisas tanto da vara para extraí-la? Pesa a ti mesmo, e discerne quanta escória está misturada com teu ouro; achas o fogo muito quente para limpar tanta escória como a que tens? Não é este teu orgulhoso espírito rebelde que prova que teu coração não está completamente santificado? Não são estas palavras murmurantes contrárias à sagrada natureza submissa dos filhos de Deus? Não é a correção necessária? Mas se queres murmurar contra ela, toma cuidado, pois a correção será dura com os murmuradores. Deus sempre castiga Seus filhos duas vezes se eles não suportarem a primeira repreensão com paciência.

Mas sei de uma coisa: "O Senhor não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens" (Lm 3:33). Todas as Suas correções são enviadas em amor, para purificá-los e trazê-los para mais perto de Si. Certamente irá te ajudar a suportar o castigo com resignação se fores capaz de reconhecer a mão de teu Pai, pois "se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?" (Hb 12:7). "Não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor" (1Co 10:10).

Noite

E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos!

(Sl 139:17)

A divina onisciência não oferece qualquer conforto às mentes ímpias, porém ela transborda com consolação ao filho de Deus. Ele está sempre pensando em nós; Deus nunca desvia Sua mente de nós; Ele sempre nos têm diante de Seus olhos, e isso é exatamente o que precisamos, pois seria terrível existir por um instante sem a observação de nosso Pai celestial. Seus pensamentos são sempre tenros, amorosos, sábios, prudentes e compreensivos, e nos trazem inúmeros benefícios; portanto, é uma prazerosa escolha lembrar-nos deles. O Senhor sempre pensou em Seu povo; por isso a eleição e a aliança da graça pela qual a salvação é garantida. Ele sempre pensará em Seu povo; por isso a perseverança final pela qual serão levados em segurança ao seu descanso final. Em todas as nossas andanças, o olhar vigilante do Eterno Vigia (Dn 4:13) está sempre fixo sobre nós; nunca vagamos para além dos olhos do Pastor. Em nossas dores, Ele nos observa incessantemente, e nem ao menos um sofrimento Lhe escapa; em nossas labutas, Ele repara todo o nosso cansaço e escreve em Seu livro todas as lutas de Seus fiéis. Esses pensamentos do Senhor nos abrangem em todos os nossos caminhos e penetram na região mais íntima do nosso ser. Não há um nervo ou tecido, ventrículo ou veia, de nossa estrutura corporal que esteja descuidada; todos os pormenores de nosso pequeno mundo são pensados pelo grande Deus. Caro leitor, é tudo isso precioso a você? Então, segure isso firme.

Nunca seja desencaminhado por filosofias tolas que pregam um Deus impessoal, e falam da auto-existência e auto-regulação da matéria. O Senhor vive e cuida de nós; essa nos é uma verdade muito preciosa para ser negligentemente roubada. Ter o reconhecimento de um nobre é tão valorizado que, aquele que o tem considera isso como sua fortuna; imagine, então, o que é estar no pensamento do Rei dos reis! Se o Senhor cuida de nós, tudo está bem, e podemos nos regozijar cada vez mais.