Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 19 de abril

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo (…)

(Mt 27:51)

Nenhum milagre significativo foi operado no rasgar de tão forte e espesso véu, porém isso significou mais que uma demonstração de poder. Muitas lições estão ensinadas aqui. A antiga lei de ordenanças foi afastada; tal como uma vestimenta desgastada, foi rasgada e posta de lado. Quando Jesus morreu, os sacrifícios foram todos concluídos, pois tudo foi cumprido nEle; assim, o lugar de seu oferecimento foi marcado com um símbolo de decadência. O rasgar também revelou todas as coisas escondidas na antiga dispensação; o propiciatório pôde agora ser visto, e a glória de Deus brilhou acima dele.

Pela morte de nosso Senhor Jesus, temos uma clara revelação de Deus, pois Ele não foi "como Moisés, que punha um véu sobre a sua face" (2Co 3:13). Vida e imortalidade foram agora trazidas à luz, e as coisas que estavam ocultas desde a fundação do mundo estão manifestadas nEle (Cl 1:26). A cerimônia anual de expiação foi abolida. O sangue expiatório, que era aspergido no interior do véu a cada ano, foi oferecido de uma vez por todas pelo grande Sumo Sacerdote e, por isso, o lugar do rito simbólico foi rasgado. Nenhum sangue de bezerros ou de cordeiros é agora necessário, pois Jesus adentrou ao véu com Seu próprio sangue. Daí o acesso a Deus estar agora permitido, e é privilégio de todos os crentes em Cristo Jesus. Há não apenas um pequeno espaço aberto através do qual podemos espiar o propiciatório, mas o rasgo se estendeu de alto a baixo. Podemos chegar com ousadia ao trono da graça celestial (Hb 4:16). Porventura erraremos se dissermos que o acesso ao Santo dos Santos, por meio dessa maravilhosa forma, pelo clamor com grande voz de nosso Senhor (Mt 27:50), foi o símbolo da abertura dos portões do paraíso a todos os santos em virtude da Paixão? Nosso ensanguentado Senhor tem a chave do céu; Ele abre e ninguém fecha (Ap 3:7); vamos entrar com Jesus nos lugares celestiais e lá nos assentar com Ele até que nossos inimigos comuns sejam feitos escabelo de Seus pés (Sl 110:1).

Noite

(…) Isto diz o Amém (…)

(Ap 3:14)

A palavra amém confirma solenemente aquilo que a precedeu. Jesus é o grande Confirmador; imutável, Ele é, para sempre, o "Amém" em todas as Suas promessas. Pecador, eu gostaria de lhe confortar com essa reflexão. Jesus Cristo disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mt 11:28). Se você vier a Jesus, Ele dirá "Amém" em sua alma, e Sua promessa lhe será verdadeira.

Ele também disse, nos dias de Sua carne, que "não esmagará a cana quebrada" (Mt 12:20). Ó pobre coração quebrado e machucado, se vieres a Jesus, Ele dirá "Amém" a ti, e isso será verdade em tua alma, assim como foi em centenas de casos em tempos passados. Cristão, porventura não é isto muito reconfortante para ti, o fato de não haver sequer uma palavra que saiu dos lábios do Salvador que Ele tenha alguma vez cancelado? As palavras de Jesus subsistirão enquanto céu e terra passarão (Mt 24:35). Se tiveres segurado ainda que metade de uma promessa, tu a acharás verdadeira. Cuidado com aquele que é chamado de "Furador de Promessas", que muito destruirá o conforto da palavra de Deus. Jesus é o "Sim" e o "Amém" (Ap 1:7) em todos os Seus ofícios. Em outros tempos, Ele foi Sacerdote para perdoar e purificar, e Ele continua a ser o Amém como Sacerdote. Ele foi um Rei para governar e reinar por Seu povo, e para defendê-los com Seu braço poderoso; Ele continua a ser o Rei Amém do mesmo modo. Ele foi Profeta de antigamente, predizendo as boas coisas que viriam; Ele continua a ser Profeta Amém, e Seus lábios ainda são os mais doces e gotejam mel.

Ele é Amém quanto ao mérito do Seu sangue; Ele é Amém quanto a Sua retidão. Esse manto sagrado permanecerá justo e glorioso quando a natureza decair. Ele é Amém em cada um dos títulos que possui; como Seu Marido, nunca procurará divórcio; como Seu Amigo, O que se apega mais que um irmão (Pv 18:24); como Seu Pastor, com você no vale da sombra da morte (Sl 23:4); como seu Ajudador e Libertador, o seu Castelo e seu Alto Refúgio (Sl 18:2); o Chifre de sua força (Sl 92:10), sua confiança, sua alegria, seu tudo em tudo, o seu “Sim” e “Amém” em tudo. "Furador de Promessas" é um personagem do livro "A Guerra Santa", escrito pelo pregador John Bunyan (1628 - 1688), publicado na Inglaterra, em 1682. (N.T.)