E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo (…)
(Mt 27:51)
Nenhum milagre significativo foi operado no rasgar de tão forte e espesso véu, porém isso significou mais que uma demonstração de poder. Muitas lições estão ensinadas aqui. A antiga lei de ordenanças foi afastada; tal como uma vestimenta desgastada, foi rasgada e posta de lado. Quando Jesus morreu, os sacrifícios foram todos concluídos, pois tudo foi cumprido nEle; assim, o lugar de seu oferecimento foi marcado com um símbolo de decadência. O rasgar também revelou todas as coisas escondidas na antiga dispensação; o propiciatório pôde agora ser visto, e a glória de Deus brilhou acima dele.
Pela morte de nosso Senhor Jesus, temos uma clara revelação de Deus, pois Ele não foi "como Moisés, que punha um véu sobre a sua face" (2Co 3:13). Vida e imortalidade foram agora trazidas à luz, e as coisas que estavam ocultas desde a fundação do mundo estão manifestadas nEle (Cl 1:26). A cerimônia anual de expiação foi abolida. O sangue expiatório, que era aspergido no interior do véu a cada ano, foi oferecido de uma vez por todas pelo grande Sumo Sacerdote e, por isso, o lugar do rito simbólico foi rasgado. Nenhum sangue de bezerros ou de cordeiros é agora necessário, pois Jesus adentrou ao véu com Seu próprio sangue. Daí o acesso a Deus estar agora permitido, e é privilégio de todos os crentes em Cristo Jesus. Há não apenas um pequeno espaço aberto através do qual podemos espiar o propiciatório, mas o rasgo se estendeu de alto a baixo. Podemos chegar com ousadia ao trono da graça celestial (Hb 4:16). Porventura erraremos se dissermos que o acesso ao Santo dos Santos, por meio dessa maravilhosa forma, pelo clamor com grande voz de nosso Senhor (Mt 27:50), foi o símbolo da abertura dos portões do paraíso a todos os santos em virtude da Paixão? Nosso ensanguentado Senhor tem a chave do céu; Ele abre e ninguém fecha (Ap 3:7); vamos entrar com Jesus nos lugares celestiais e lá nos assentar com Ele até que nossos inimigos comuns sejam feitos escabelo de Seus pés (Sl 110:1).