Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 25 de março

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) com um beijo trais o Filho do homem?

(Lc 22:48)

Os beijos do inimigo são enganosos. Esteja eu em guarda quando o mundo me apresentar uma cara amorosa, pois ele irá, se possível, trair–me como fez com meu Mestre, por meio de um beijo. Sempre que um homem está prestes a apunhalar sua religião, geralmente ele professa uma grande reverência por ela. Deixe-me tomar cuidado com a hipocrisia de rosto suave, que é a escudeira da heresia e da infidelidade. Conhecendo o engano da injustiça, seja eu sábio como uma serpente para perceber e evitar os desígnios do inimigo.

O jovem falto de entendimento foi desviado pelo beijo da mulher estranha (Pv 7:13); que a minha alma seja graciosamente instruída todo o dia de hoje; que as "palavras muito suaves" (Pv 7:21) do mundo não tenham efeito sobre mim. Espírito Santo, não me deixe, um pobre e frágil filho do homem, ser traído com um beijo! Contudo, e se eu for culpado do mesmo pecado maldito, tal como o de Judas, o filho da perdição?

Eu fui batizado em nome do Senhor Jesus; eu sou um membro da Sua Igreja visível; eu me sento à mesa da comunhão; tudo isso são beijos dos meus lábios. Sou eu sincero neles? Se não, sou um traidor ordinário. Vivo eu no mundo de maneira descuidada como fazem os outros e, ainda assim, faço profissão de ser um seguidor de Jesus? Então, tenho exposto a religião ao ridículo e levado os homens a falarem mal do Santo Nome pelo qual fui chamado.

Certamente, se eu assim agir, de forma inconsistente, serei como um Judas, e melhor seria para mim se nunca tivesse nascido. Porventura atrevo-me a ter esperança de que estou puro nesse assunto? Então, ó Senhor, mantenha-me assim. Ó Senhor, fazei-me sincero e verdadeiro. Guarda-me de todo caminho de falsidade; nunca permita que eu traia meu Salvador. Eu amo a Ti, Jesus, e apesar de muitas vezes me lamentar, ainda assim, eu desejo permanecer fiel até a morte. Ó Deus, não permita que eu seja um grande conhecedor da Tua palavra, mas, ao final, caia no lago de fogo porque traí meu Mestre com um beijo.

Noite

(…) O Filho do homem (…)

(Jo 3:13)

Quão constantemente nosso Mestre usou o título "Filho do homem"! Ele poderia ter sempre falado de Si mesmo como o Filho de Deus, o Pai Eterno, o Maravilhoso, o Conselheiro, o Príncipe da Paz, mas eis a humildade de Jesus! Ele prefere chamar-Se de "Filho do homem". Aprendamos uma lição de humildade com nosso Salvador: nunca nos cortejar com grandes títulos nem graus orgulhosos. Há, aqui, no entanto, um pensamento muito mais doce: Jesus amou tão profundamente a humanidade que deleitava-Se em honrá-la; visto como isso é uma grande honra e, de fato, a maior dignidade da humanidade, que Jesus seja o "Filho do homem", Ele habituou–Se em demostrar esse nome como se isso pendurasse estrelas reais sobre o peito da humanidade e manifestasse o amor de Deus à semente de Abraão.

"Filho do homem"; todas as vezes em que Jesus disse essas palavras, Ele fazia cair uma auréola ao redor da cabeça dos filhos de Adão. No entanto, talvez esse ainda não seja o mais precioso pensamento. Jesus Cristo chamou a Si mesmo de "Filho do homem" para expressar Sua identidade e compaixão com Seu povo. Assim, Jesus nos lembra que Ele é o único a quem podemos nos aproximar sem medo. Como seres humanos, podemos levar até Ele todas as nossas tristezas e angústias, pois Ele as conhece por experiência; naquilo em que Ele mesmo sofreu como o "Filho do homem", Ele é capaz de nos socorrer e consolar. Salve, ó bendito Jesus! Uma vez que estás usando eternamente o doce nome em que reconheces que és um irmão e um parente próximo, isso é, para nós, um amável símbolo da Tua graça, da Tua humildade e do Teu amor.