Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 17 de março

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres (…)

(Gl 2:10)

Por que Deus permite que muitos de Seus filhos sejam pobres? Ele poderia fazê-los todos ricos se quisesse; Ele poderia colocar sacos com ouro em suas portas; Ele poderia enviar-lhes um grande rendimento anual ou espalhar abundância de provisões ao redor de suas casas, como fez uma vez com codornizes que caíram aos montes em volta do arraial de Israel, ou quando choveu pão do céu para alimentá-los. Não há necessidade de serem pobres, a não ser que Ele entenda que isso é o melhor. "Porque meu é todo animal da selva, e o gado sobre milhares de montanhas" (Sl 50:10); então, Ele poderia fornecêlos; Ele poderia fazer com que os mais ricos, os mais importantes, os mais poderosos trouxessem todo seu poder e riqueza aos pés de Seus filhos, pois o coração de todos os homens estão em Seu controle (Sl 33:15). No entanto, Ele optou por não fazê-lo; Ele permite que sofram falta; Ele permite que enfraqueçam na penúria e na obscuridade.

Por que isso? Há muitas razões. Uma delas é para dar àqueles que são favorecidos com o suficiente a oportunidade de demostrar seu amor a Jesus. Mostramos nosso amor a Cristo quando cantamos sobre Ele e quando oramos a Ele, mas se não houvesse no mundo filhos com necessidades, nós perderíamos o doce privilégio de evidenciar nosso amor pela ministração de esmolas aos irmãos mais pobres; Ele ordenou que assim provaremos que o nosso amor não se resume apenas a palavras, mas em obras e em verdade. Se realmente amamos a Cristo, devemos cuidar daqueles que são amados por Ele. Aqueles que são caros a Ele devem ser caros a nós. Vamos, então, considerar não como um dever, mas como um privilégio, socorrer os pobres do rebanho do Senhor, lembrando as palavras do Senhor Jesus: "Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (Mt 25:40). Certamente essa garantia é doce o suficiente, e esse motivo forte o bastante para nos levar a ajudar os outros com mão disposta e coração amoroso, lembrando que tudo o que fazemos para o Seu povo é graciosamente aceito por Cristo como que feito para Ele mesmo.

Noite

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus

(Mt 5:9)

Essa é a sétima das bem-aventuranças, e sete era o número da perfeição entre os hebreus. Pode ser que o Salvador tenha colocado o pacificador como o sétimo da lista porque ele é o que mais se aproxima do homem perfeito em Cristo Jesus. Aquele que tiver perfeita bem-aventurança, tanto quanto isso possa ser desfrutado na Terra, atingirá essa sétima bênção e se tornará um pacificador. Há, também, um significado na posição do texto. O versículo que o precede fala da bem-aventurança dos "limpos de coração, porque eles verão a Deus".

É bom entendermos que somos "primeiramente puro, depois pacífico" (Tg 3:17). Nossa pacificação nunca poderá ser armazenada juntamente com o pecado ou tolerar o mal. Precisamos firmar nossos rostos como pedras contra tudo o que é contrário a Deus e a Sua santidade; sendo a pureza uma questão resolvida em nossas almas, poderemos, então, ir em direção à pacificação. O versículo que segue parece ter sido colocado ali de modo intencional. No entanto, embora possamos ser pacificadores neste mundo, contudo, ainda seremos deturpados e mal interpretados; não é de admirar, pois até mesmo o Príncipe da Paz, por Sua própria paz, trouxe fogo à Terra. Ele mesmo, embora amasse a humanidade, sem praticar o mal, foi "desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos" (Is 53:3). Então, para que os pacificadores de coração não fossem surpreendidos quando encontrassem os inimigos, é adicionado no verso seguinte: "Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus" (Mt 5:10). Assim, os pacificadores não são apenas considerados bemaventurados, mas estão rodeados de bemaventuranças. Senhor, dá-nos a graça de escalar essa sétima bem-aventurança! Purifica nossas mentes para que possamos ser "primeiramente puros, depois pacíficos", e fortalece nossas almas; que o nosso caráter pacífico não nos leve à covardia e ao desespero quando, por amor de Ti, formos perseguidos.