(…) o pecado (…) excessivamente maligno
(Rm 7:13)
Cuidado com os suaves pensamentos a respeito do pecado. No momento da conversão, a consciência está tão delicada que temos receio do menor pecado. Jovens convertidos têm uma santa timidez, um santo temor para não ofenderem a Deus. Mas, ai de mim! em pouco tempo, a fina flor sobre esses primeiros frutos maduros é removida pelo lidar com o mundo circundante; a sensível planta da jovem piedade se transforma em um velho salgueiro, muito flexível e facilmente complacente. É uma triste verdade que mesmo um cristão possa, aos poucos, chegar a níveis tão insensíveis, onde o pecado que uma vez o assustou, não o assuste mais.
Aos poucos, os homens se familiarizam com o pecado. Os ouvidos, onde o canhão ressoava, passam a não mais notar pequenos sons. No início, um pequeno pecado nos assustava, mas logo dissemos: "Não é pequeno?" (Gn 19:20). Em seguida, vem outro maior, e depois outro, até que, aos poucos, começamos a considerar o pecado como algo senão de pequeno malefício e, em seguida, segue uma profana presunção: "Nós não caímos em um grande pecado. É verdade, nós tropeçamos um pouco, mas nos levantamos na maioria das vezes. Podemos ter pronunciado uma palavra profana, mas na maior parte da nossa conversa, ela foi consistente". Então, nós suavizamos o pecado; jogamos um manto sobre ele; podemos chamá-lo por nomes delicados. Cristão, cuidado quando pensas suavemente sobre o pecado.
Acautelai-vos para que não caiais pouco a pouco. Pecado: uma coisa insignificante? Não é ele um veneno? Quem conhece seu potencial letal? Pecado: uma coisa insignificante? Não são as raposinhas que estragam as uvas (Ct 2:15)? Não são os pequenos e insignificantes corais que destroem um navio?
Não são as pequenas pancadas que derrubam carvalhos imponentes? Não é o contínuo gotejar que desgasta as pedras? Pecado: uma coisa insignificante? Ele cingiu a cabeça do Redentor com espinhos e perfurou Seu coração! Ele O fez sofrer angústia, amargura e aflição. Se você pudesse pesar a menor quantidade de pecado na balança da eternidade, você correria dele como se ele fosse uma serpente, e abominaria a menor aparência do mal. Olhe para todo o pecado como aquilo que crucificou o Salvador, e você verá que ele é "excessivamente maligno".