De maneira que, irmãos, somos devedores (…)
(Rm 8:12)
Como criaturas de Deus, somos todos devedores em obedecê-Lo com todo o nosso corpo, e alma, e forças. Tendo quebrado Seus mandamentos, como todos nós fizemos, somos devedores a Sua justiça, e Lhe devemos uma inestimável conta que não é capaz de ser paga. No entanto, o cristão não deve coisa alguma à justiça de Deus, pois Cristo pagou a dívida que Seu povo devia. Por essa razão, o crente deve ainda mais ao amor. Eu sou devedor à graça de Deus e a Sua complacente misericórdia, mas não sou devedor a Sua justiça, pois Ele nunca irá me cobrar por uma dívida já paga.
Cristo disse: "Está consumado!" (Jo 19:30), querendo dizer que aquilo que Seu povo devia foi apagado para sempre do livro memorial (Ml 3:16). Cristo, de modo absoluto, satisfez a justiça divina. A conta está paga; a cédula está pregada na cruz (Cl 2:14); o recibo está dado, e não somos mais devedores à justiça de Deus. Mas, então, porque não somos devedores ao nosso Senhor nesse sentido, nos tornamos dez vezes mais devedores a Deus do que teria sido de outra forma. Cristão, faça uma pausa e reflita por um momento. Que devedor tu és à divina soberania! Quanto deves a Seu amor desinteressado, pois Deus entregou Seu próprio Filho para que Ele morresse por ti. Pense em quanto você deve a Sua complacente graça, que mesmo depois de dez mil afrontas, Ele te ama infinita e eternamente.
Considere o que você deve a Seu poder; como Ele te levantou de sua morte no pecado; como Ele preservou sua vida espiritual; como Ele te impediu de cair, e como, apesar de milhares de inimigos cercarem seu caminho, você tem sido capaz de se manter nele. Considere o que você deve a Sua imutabilidade. Apesar de você ter mudado mil vezes, Ele não mudou uma só vez. Tu estás profundamente em dívida com todos os atributos de Deus. Para Ele, tu deves a ti mesmo e tudo quanto tens; apresente-se como um sacrifício vivo, pois isso é teu culto racional (Rm 12:1).