Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 8 de janeiro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) a iniquidade das coisas santas (…)

(Ex 28:38)

Que véu é levantado por essas palavras, e que revelação é feita! Proveitoso será para nós deter-nos por algum tempo e observar essa triste cena. A iniquidade de nossos cultos públicos, sua hipocrisia, sua formalidade, indiferença, irreverência, prestado com coração errante e sem consideração para com Deus; que medida completa temos neles! Nossos trabalhos para o Senhor, suas emulações, egoísmos, descuidos, negligências, falta de fé; que multidão de corrupções estão neles! Nossas devoções particulares, sua frouxidão, frieza, negligência, sonolência e vaidade; que montanhas de terra morta estão nelas! Se nós olharmos com mais cuidado, perceberemos que essa maldade é muito maior do que parece à primeira vista. O reverendo Edward Payson, escrevendo a seu irmão, disse: "Minha congregação, tal como meu coração, muito se assemelha ao jardim do preguiçoso; e, o que é pior, acho que muitos dos meus desejos para o melhoramento de ambos procede tanto do orgulho, ou da vaidade, ou da indolência. Olho para as ervas daninhas que estão espalhadas sobre meu jardim e respiro um desejo sincero que elas fossem erradicadas. Mas por qual motivo? O que promove esse desejo? Pode ser para que eu possa sair e dizer a mim mesmo: 'Em que excelente ordem está conservado meu jardim!'; isso é orgulho.

Ou pode ser para que meus vizinhos possam olhar por cima do muro e dizer: 'Como seu jardim floresce finamente!'; isso é vaidade. Ou posso desejar a destruição das ervas daninhas porque estou cansado de puxá-las para cima; isso é indolência". De modo que até mesmo os nossos desejos em direção à santidade podem ser poluídos por motivos maléficos. Debaixo dos gramados mais verdes os vermes se escondem; não precisamos olhar muito para descobri-los. Quão adorável é o pensamento que, quando o Sumo Sacerdote suportava a iniquidade das coisas santas, Ele usava sobre Sua testa as palavras "SANTIDADE AO SENHOR" (Ex 28:36; 39:30), e, do mesmo modo, quando Jesus carrega nosso pecado, Ele apresenta diante da face de Seu Pai não a nossa falta de santidade, mas a Sua própria santidade. Ó, que graça ver o nosso grande Sumo Sacerdote pelos olhos da fé! Edward Payson (1783 - 1827) foi um pregador congregacional estadunidense. (N.T.)

Noite

(…) porque melhor é o teu amor do que o vinho

(Ct 1:2)

Nada dá ao crente tanta alegria como a comunhão com Cristo. Ele tem prazer tal como os outros têm nas misericórdias habituais da vida; ele pode ser feliz tanto nas dádivas como nas obras de Deus; contudo, em todas elas separadamente, sim, e em todas elas somadas, ele não encontrará substancial prazer como na pessoa incomparável de seu Senhor Jesus. Ele tem vinho que nenhum vinhedo da Terra já produziu; Ele tem pão que nem todas as searas do Egito poderiam produzir. Onde poderia ser encontrada tanta doçura como as que já experimentamos pela comunhão com nosso Amado? Em nossa estima, as alegrias deste mundo são pouco melhores que as cascas jogadas aos porcos se comparadas a Jesus, o maná celestial.

Preferimos ter um pequeno bocado do amor de Cristo, e um gole de Sua comunhão, do que um mundo inteiro cheio de delícias carnais. Que tem a palha com o trigo? O que a zircônia tem com o verdadeiro diamante? O que é um sonho para a gloriosa realidade? O que é o melhor momento de alegria em comparação com o nosso Senhor Jesus em Seu estado mais desprezado? Se você sabe alguma coisa a respeito da vida interior, você confessará que nossas mais elevadas alegrias, mais puras e mais duradouras, devem ser fruto da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus. Nenhuma nascente produz água tão doce como a fonte de Deus que foi cavada pela lança do soldado (Jo 19:34). Toda felicidade terrena é como o pó da terra, mas os confortos da presença de Cristo são como Ele, celestiais. Podemos rever nossa comunhão com Jesus e não encontraremos nela qualquer tristeza ou vazio; não há borra nesse vinho, não há moscas mortas nesse unguento.

A alegria do Senhor é sólida e duradoura. Vaidade não olha para Ele, mas discrição e prudência testemunham que Ele permanece à prova dos anos, e é no tempo e na eternidade digno de ser chamado de "o único prazer verdadeiro". Para alimentação, consolo, alegria e refrigério, nenhum vinho pode rivalizar com o amor de Jesus. Vamos dEle beber ao máximo esta noite.