(…) a iniquidade das coisas santas (…)
(Ex 28:38)
Que véu é levantado por essas palavras, e que revelação é feita! Proveitoso será para nós deter-nos por algum tempo e observar essa triste cena. A iniquidade de nossos cultos públicos, sua hipocrisia, sua formalidade, indiferença, irreverência, prestado com coração errante e sem consideração para com Deus; que medida completa temos neles! Nossos trabalhos para o Senhor, suas emulações, egoísmos, descuidos, negligências, falta de fé; que multidão de corrupções estão neles! Nossas devoções particulares, sua frouxidão, frieza, negligência, sonolência e vaidade; que montanhas de terra morta estão nelas! Se nós olharmos com mais cuidado, perceberemos que essa maldade é muito maior do que parece à primeira vista. O reverendo Edward Payson, escrevendo a seu irmão, disse: "Minha congregação, tal como meu coração, muito se assemelha ao jardim do preguiçoso; e, o que é pior, acho que muitos dos meus desejos para o melhoramento de ambos procede tanto do orgulho, ou da vaidade, ou da indolência. Olho para as ervas daninhas que estão espalhadas sobre meu jardim e respiro um desejo sincero que elas fossem erradicadas. Mas por qual motivo? O que promove esse desejo? Pode ser para que eu possa sair e dizer a mim mesmo: 'Em que excelente ordem está conservado meu jardim!'; isso é orgulho.
Ou pode ser para que meus vizinhos possam olhar por cima do muro e dizer: 'Como seu jardim floresce finamente!'; isso é vaidade. Ou posso desejar a destruição das ervas daninhas porque estou cansado de puxá-las para cima; isso é indolência". De modo que até mesmo os nossos desejos em direção à santidade podem ser poluídos por motivos maléficos. Debaixo dos gramados mais verdes os vermes se escondem; não precisamos olhar muito para descobri-los. Quão adorável é o pensamento que, quando o Sumo Sacerdote suportava a iniquidade das coisas santas, Ele usava sobre Sua testa as palavras "SANTIDADE AO SENHOR" (Ex 28:36; 39:30), e, do mesmo modo, quando Jesus carrega nosso pecado, Ele apresenta diante da face de Seu Pai não a nossa falta de santidade, mas a Sua própria santidade. Ó, que graça ver o nosso grande Sumo Sacerdote pelos olhos da fé! Edward Payson (1783 - 1827) foi um pregador congregacional estadunidense. (N.T.)